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Lobo # 04

Por Alexandre Mandarino

Stairway to Heaven

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— Kundalini. A energia Kundalini é a fonte da iluminação espiritual e, nos seres humanos, está localizada no chamado chakra básico. Ela também é o ar e o componente essencial da dimensão onde habita/governa a Eternidade. A Kundalini não é fogo. A Kundalini não é vermelha. A Kundalini é branca. É a própria energia do espírito, que banha e alimenta todo o universo, a partir do próprio corpo da Eternidade.

— Cale-se, Desaad. Não me importa o que é a Kundalini. Lobo e os outros peões penetraram a Entrada, que leva para a dimensão da Eternidade. Em exatos 47 minutos, será chegada a hora da dama cósmica perecer pelas minhas mãos, como previmos. Devo me preparar.

Com estas palavras, Darkseid saiu de seus aposentos enegrecidos no que outrora se assemelhava a uma capital em Apokolips. Perdido em pensamentos, Desaad temia pelo pior: "Mais uma vez, ele não me dá ouvidos. Tremo só de pensar na idéia de adverti-lo da falha maior em seus planos. Se um outro ser penetrar neste momento na Entrada Kundalini, tudo estará perdido e a história será reescrita, de forma desfavorável a Darkseid. Para que isso aconteça, basta que este ser seja um campeão do que chamam de 'luz' e 'vida' e seja um iniciado nas artes mágicas do amor. Porém, não mais me atreverei a tentar advertir o Lorde Negro".

Karnilla olhou com tristeza para sua cama real e suspirou. Os aposentos tântricos do reino das Nornes ficariam bem maiores esta noite.

Tudo o que o engenheiro-chefe Zza podia enxergar era o brilho ofuscante de inúmeras luzes, que rodopiavam ao seu redor. O chão lhe faltava e ele não podia saber se isso significava que estava flutuando ou simplesmente não possuía mais corpo. Finalmente, após longos minutos, uma voz tomou-lhe o cérebro: "Você, que se apelida Zza; escute. Há bilhões de anos nenhum ser vivo penetrou na Entrada Kundalini. Eu sou a consciência do Intermediário. Estou sendo reconstruído, desta vez sem imperfeições ou artimanhas, pela dama cósmica. Meu ego jaz no mar de energia que é a Kundalini e, dentro de alguns ciclos, poderá se recompor novamente sob a forma humanóide. Enquanto isso, você e todos os seus companheiros involuntários de viagem devem se prevenir. Fui usado pelo Lorde Negro para dar prosseguimento aos seus fins, contra a minha vontade. Mas é óbvio que a dama sensorial já está ciente disso. Todos vocês que aqui viajam, alerta! Aqui, encontrarão o seu contrário".

Em seguida, Zza despertou do que parecia ser um transe. O cenário aparentava ser o interior de uma sala de metal, limpa como a virgem. Ao seu lado, estavam seus companheiros, os geneticistas do G.E.N.O.M.A. Todos pareciam acordar ao mesmo tempo. "Ouviram essa voz?", era a pergunta comum.

— Fiquem calmos. Precisamos descobrir onde estamos e como sair daqui. — disse Zza. — Ainda iremos achar uma forma de capturar o repelente chamado Lobo. Ele deve estar por perto.

— Mas que lugar é este? — perguntou o engenheiro-assistente número 17 — Ali há uma porta. Vamos ver o que há lá fora.

A porta de metal rodou sobre seu eixo, dando passagem a uma paisagem assustadora. Em um planeta inteiramente feito de metal, os geneticistas se depararam com cópias exatas de si mesmos, várias delas.

— Isso não é possível. Não faz sentido. O Intermediário disse que encontraríamos nossos opostos. — disse um dos assistentes.

— Faz todo o sentido. — respondeu Zza. — Afinal, somos caçadores de alienígenas e geneticistas. Tudo aqui é metal, nada possui células vivas, com exceção de nossos iguais. Alguém se habilita a obsedar uma cópia de si mesmo para exames?

O engenheiro-mago Tarodequi cruzou os dedos em meio ao campo verdejante onde se encontrava. Nada. Pela quinta vez, a conjuração prometêica de seu próprio tufo de pêlos genitais não funcionou. Ao seu redor, tudo o que se via era uma imensa floresta, com ocasionais clareiras verdes.

"Tenho todos os elementos ao meu dispor, incluindo meus próprios fluidos corporais. Mas a magia genética simplesmente não funciona por aqui", pensou. "Que lugar é este?".

— Não consigo me levantar, senhor! — gritou um dos soldados do Pelotão de Ataque Thanagariano Número 14. — Por Fetarr Lol!! Não suportarei isso!

Os quatro soldados estavam deitados sobre a superfície de um planeta inteiramente composto de terra e areia. A insuportável gravidade do local os impedia de se levantar. Voar, nem pensar.

— Meu dispositivo antigravitacional estão na potência máxima e nada!

— Melhor desligá-lo. — disse o cabo thanagariano. — Já estou sentindo cheiro de queimado, não force demais.

— Mas, se não podemos andar, voar, sequer ficar em pé, o que iremos fazer? O que farei sem poder voar livremente?

— Vamos observar o céu. Vejam as estrelas, uma delas deve ser Thanagar. Observem.

Um labirinto de papel envolvia Coprofax. Toda vez que o arauto de Galactus tentava usar seu poder contra o onipresente campo de força de celulose, era repelido. Pior: quando tentava golpeá-lo, sentia que partes de seu corpo ficavam presas no campo.

— Pela bosta! Como vô tê di fazê pra móde conseguir sair daqui?

"Não há saída para você, ser infecto. Você ficará para sempre aprisionado na dimensão de Limpox© Ultra-Radium, aquele que desinfeta e alveja. Não há espaço neste continuum para imperfeições e vermes bacterianos como você. Após algumas horas no nosso campo de força absorvente feito de papel higiênico Cisne© seu putrefato arremedo de corpo se extinguirá".

— Cumequié, seus limpinho? Tão dizeno aê que tão a fim de me tirar? Cês vão vê só com quantos tijôlo se enche uma privada!

"Isso, debata-se. Só irá apressar a ação vermífuga e anti-bacteriana do nosso agente Clean©, aquele que lava mais branco".

— Acho que entrei na porra Kundalini, mas cadê a piranha da Eternidade? E que caralho foi esse que o Intermediário falou na minha cabeça? Ele tava sendo usado? Por quem? Será que foi armação do escroto do Darkseid? Bom, isso fica pra depois, tenho um contrato pra terminar e o Maioral nunca foge dos seus compromissos. Mas seria uma boa se eu soubesse como achar a cadela.

Ao redor do nosso herói, um campo verde e ensolarado se estendia. Sons agudos cada vez mais se aproximavam. Temendo pelo pior, Lobo se preparou e desenrolou sua corrente-gancho.

— Qualé? Quem tá aí? Podem vir, seus cuzões!

Os sons agudos se aproximavam cada vez mais, permitindo ao Maioral identificar algumas frases desconexas: "zzzzbbzzzz nosso novo amiguinho", "vamos adorar brincar com ele e zzzzzbbzzzz", "de que historinha será que ele zzzzzzbbzzzzzz?".

Finalmente, dezenas de vultos podiam ser vislumbrados atrás de moitas distantes, no que parecia ser a entrada de uma fazenda. Lobo caminhou até o local e as vozes pararam.

— Que porra é essa? Quem tá se mocozando aí nas plantas? Vamo saindo daí! Já!

— Claro...
— ... senhor...
— ... grandão!

Três pequenos patos vestidos de marinheiro se aproximaram, dizendo:

— De onde...
— ... você...
— ... veio, amiguinho?

Lobo levantou a sobrancelha esquerda: — Amiguinho?

— Sim, aqui...
— ... somos todos...
— ... amiguinhos!

— Aqui, aonde? — disse o czarniano. — Que merda de lugar é esse?

— Xi, amiguinho...
— ... o senhor disse...
— ... nomes feios.
— A Vovó Gansalda...
— não vai gostar...
— ... nada disso!

— Porra, parem de falar em estéreo! Que caralho de lugar é esse? — gritou nosso herói.

— Ora, senhor...
— ...amiguinho...
— o senhor está...
— ...nos arredores de...
Gansópolis! — gritaram os três patinhos em uníssono.

Ao ouvirem o nome de sua amada cidade natal, as outras figuras saíram de trás das moitas. Cachorros falantes, patos de cartola, coelhinhos batendo seus pés como tambores, porquinhos de boné, anõezinhos barbudos, ratinhos de olhos grandes, veadinhos fofinhos e ursinhos bem carinhosos. Todos cercaram Lobo, gritando:

— Viva! Bem-vindo a Gansópolis, a terra da fantasia e da aventura! Hoje é quarta-feira, dia de brincadeira!

Breidablick, palácio de ouro onde somente os virtuosos eram admitidos, reluzia em meio à conurbação urbana de Asgard. Em seu interior, seu senhor, Balder, o deus da Vida e da Luz, vasculhava sua fonte mística em busca da origem de seus temores. Perdido em pensamentos, o Bravo foi interrompido pela chegada de Iggeirrogga, sua fiel ama e governanta:

— Perdoai minha intromissão, senhor. Mas a biga sagrada está pronta e os cães, a ela atrelados.

— Preparastes tudo em boa hora, doce senhora. Descobri a fonte dos possíveis infortúnios e trata-se da própria Entrada Kundalini, residência da senhora Eternidade.

— Mas, meu senhor...

— Eu sei. Mas sabes que é meu dever. Minha partida será imediata. Em instantes, estarei à beirada da Kundalini.

Em seu canto que a tudo ocupa, a Eternidade piscou os dois olhos. "É chegada a hora de me revelar".

O tubo de explosão levou Darkseid instantaneamente de seu palácio em Apokolips à fronteira da Entrada Kundalini. "Daqui a exatos 11 minutos, Lobo estará golpeando mortalmente a Eternidade. Mas o golpe final será dado por mim. Devo estar presente para coletar a equação anti-vida". E o Lorde Negro se posicionou, aguardando.

As pequenas criaturas carregavam Lobo em seus ombros, em direção ao portão de entrada de Gansópolis.

— Viva! — disse um pato que vestia um roto suéter amarelado e um gorro vermelho. — Trickey, você poderia pedir ao Coronel Mintra para dar a chave da cidade ao nosso novo amigo!

— É verdade! — disse um camundongo com grandes olhos.

Podem parar com essa porra! — gritou nosso herói. — Me ponham no chão, já!

As criaturas, curiosas, deixaram o czarniano descer e se puseram à sua volta, como que esperando um discurso de um messias. Um esquilo de nariz vermelho se aproximou e disse:

— Ei, você vai adorar Gansópolis! Eu e meu irmão Mico sempre encontramos muitas avelãs nos parques de lá e sempre conseguimos nos divertir um pouco na casa do nosso amigo Ronald!

— Quac! — ouviu-se ao longe, na multidão.

Calem a porra da boca! Todos vocês, calados! — berrou Lobo, já adquirindo uma cor arroxeada de tanto ódio. — Vocês não sabem quem eu sou! Eu não sou nenhuma caralha de 'amiguinho'!

Um pato de cartola e polainas perguntou:

— Não é amiguinho? Então... você veio em busca do dólar sagrado?

— Isso mesmo, Traquinhas, acho que estou entendendo, disse o camundongo. — Nosso 'amigo' deve ser companheiro do Capitão Arpão, dos Irmãos Bazuca ou até mesmo da Bruxa Gansolójika! Diga, amigo, qual é o seu nome?

— Lobo.

— E você é mau? — perguntou um cachorro que retirava amendoins de dentro de seu próprio chapéu.

— 'Mau'? Como assim 'mau'? Bom, aquele superpateta de azul uma vez disse que eu era 'mau'.

— Superpateta? — disse o cachorro, pensativo, com um amendoim entre os dedos. Um porquinho se aproximou e disse: — Ora, e daí? Nós somos milhares e temos as graças do Deus Congelado ao nosso favor. Qual é o problema? Quem tem medo de um Lobo mau?

Aaaaaarrrrggggggggghhhhhhhhh! — berrou o czarniano, azul de ódio. — Seus filhos da puta! Eu mandei calarem a boca e sumir! Agora vocês todos vão morrer!

A corrente rodopiava e, em sua ponta, um enorme gancho arrancava cabeças e chapéus. Na outra extremidade, um Lobo em frenesi gargalhava. Porcos, esquilos, gansos, ratos, anões, todos eram ceifados sem piedade pelas mãos do alienígena. O campo verde era aos poucos tingido de vermelho, à medida em que Lobo caminhava para dentro de Gansópolis e começava a destruir toda a cidade. Um cachorro voador de suéter vermelha e um ganso que pulava sobre botas de molas, vestido de preto, tentaram impedi-lo, mas não tiveram chance. Em menos de cinco minutos, todos estavam mortos.

— Eh, eh, é o inferno dos bichos falantes! Vou detonar a porra toda! — gritou Lobo. A cada novo golpe de sua corrente, um prédio caía. Um minuto a mais e toda a cidade estava em ruínas. Em meio à poeira, uma voz se fez ouvir: — Pare!

Lobo se virou. À sua frente, estava em pé uma gansa, com um laço colorido na cabeça e um pau de macarrão nas mãos.

— O que você acha que está fazendo? Onde está Ronald? Por que você destruiu minha cidade e matou meus amigos? Eu, Rosa, vou lhe mostrar só — disse a charmosa gansa, antes de arremessar o utensílio culinário no czarniano.

— Essa é demais! Tchau, galinha! — disse Lobo, cravando o gancho no crânio da pobre gansa.

Imediatamente, tudo se desfez. Do interior da pequena e frágil ave, uma fumaça pouco a pouco tomou a forma da dama cósmica, a Eternidade.

— Você teve sua chance, mercenário. Eu/Nós lhe demos a opção da redenção. Ainda que o Intermediário tenha sido usado para outros fins, ele tinha razão em um ponto: suas matanças sem fim colocam em risco o frágil equilíbrio cósmico. Isso deve parar, disse a dama galáctica.

— É? E quem vai me parar, ô baranga? — gritou Lobo, atacando com as próprias mãos a entidade.

Na câmara inicial da Entrada Kundalini, Darkseid avançou. "É chegado o momento, finalmente".

A cada golpe de Lobo, o mundo ilusório se deteriorava, até desvanecer-se por completo. Estavam agora em pleno espaço, apoiados sobre pedaços enegrecidos de matéria especular. Os engenheiros, Tarodequi, Corpofax e os thanagarianos, vindos de seus mundos ilusórios, perceberam o que estava acontecendo e correram em direção à Eternidade, para impedir uma catástrofe cósmica sem proporções.

— Não seja estúpido, Lobo. Se matar a Eternidade, tudo deixará de existir! — apelou Tarodequi, assustado.

— É? Beleza, zilhões pelo preço de um!

Imediatamente, todos tentaram afastar Lobo da entidade, que misteriosamente não reagia. O esforço conjunto não parecia surtir efeito e o mercenário continuava a espancar o ser cósmico. Repentinamente, Darkseid chegou ao local. "É agora", pensou o Lorde Negro. "É o fim da Eternidade". Ao ver que Lobo estava sendo refreado pelos outros seres, Darkseid emitiu dois feixes de raios ômega. Um dos raios desintegrou instantaneamente o engenheiro-chefe Zza e três dos thanagarianos, enquanto o feixe vizinho deu cabo do quarto soldado thanagariano e dos geneticistas-assistentes. Somente Tarodequi e Coprofax escaparam da carnificina instantânea. O engenheiro-mago se virou:

— Que loucura é esta? Quem exterminou meus homens como se fossem moscas?

— Eram moscas, disse o lorde negro.

Tomado pela raiva, Tarodequi avançou contra Darkseid, conjurando diversos encantos a partir de sua saliva. Com um golpe, o ditador de Apokolips o jogou para o lado. Coprofax, que continuava tentando afastar Lobo e a Eternidade, foi pego pelas costas com um feixe de raios ômega. Caiu em chamas, se contorcendo, invocando os poderes curativos do esterco.

Lobo, que mal havia registrado as mortes ao seu redor, se preparava para o golpe de misericórdia contra a dama cósmica. O universo já começava a rodopiar. Na Terra, Stephen Strange foi subitamente acometido de uma intensa dor de cabeça. Os sentidos de Peter Parker apitaram como nunca. Os instrumentos do Edifício Baxter começaram bipar e seu genial criador não entendia o porquê. Nas mentes de todos os seres vivos do cosmos, durante um milissegundo, surgiram as faces duplas de yin e yang, em uma comunhão instantânea gerada pelo armagedom definitivo.

— Basta. Afaste-se, mercenário. O golpe fatal será meu. — disse Darkseid.

— Hã? Ué, tu tá aí, é? Nada disso, carranca, tu me pagou pra matar essa dona e sou que tenho que fazer isso.

No chão, semi-inconscientes, Tarodequi e Coprofax tentavam se levantar.

Neste momento, na entrada da Kundalini, o Deus da Luz rezava: "Odin, deus dos deuses, dai-me forças nesta hora. A visão dupla que sofri há pouco só pode ser o prenúncio do Ragnarok".

Atrelando sua biga de cães, Balder deu o primeiro passo para o interior da Entrada Kundalini.

Inesperadamente, a Eternidade se tornou forte e mais uma vez una com o cosmos. Ela flutuou sobre todos, dizendo:

— Você, que se julga o Lorde Negro, achou mesmo que obteria sucesso? Você é uma criança ingênua. Todos os seus atos foram utilizados por mim para rejuvenescer a mim mesma e ao universo. O que sentiram um minuto atrás foi a recriação instantânea do cosmos. Toda recriação exige sofrimento e tragédia. Obrigada(o) por ter proporcionado estes dois elementos, ser de Apokolips. Graças a você e aos seus planos pueris, o cosmos está renascido e cada vez mais distante da equação antivida. Também sou-lhe grata(o) por ter possibilitado a reorganização do Intermediário, um de meus agentes mais importantes. Como se sente sendo o pai de um universo mais novo e saudável, déspota? E você, patético mercenário: seus atos de carnificina já se prolongaram por tempo demasiado. Ao contrário do Devorador de Planetas, que possui uma função clara no desenrolar das cortinas do cosmos, você não é importante. Seus atos extremos têm provocado desequilíbrio e posso (e devo) puní-lo. Se voltar a matar qualquer ser vivo, será imediatamente envolto por uma parte da energia Kundalini e teleportado aleatoriamente pelo espaço-tempo. Você, mago genético, será enviado de volta para seu planeta-natal, que vocês chamam de Uk. Elemental da podridão, seu lugar é ao lado se seu mestre, de quem é arauto. Agora, partam todos.

Assim que avistou a Eternidade e alguns vultos ao seu lado, Balder caiu inconsciente. Todos sentiram somente o vazio.

Algum tempo depois, Lobo acordava em um local escuro e cheio de crateras. "Ai, meus córneos. Essa foi foda. Onde é que eu tô? Peraí, acho que é a Lua da Terra. Que bela caca".

Lobo se levantou, cambaleante. Não sabia se havia cumprido ou não seu objetivo. Depois de caminhar alguns metros, dolorido, ouviu uma voz:

— Quem és tu, ser alvo? Também estavas na Kundalini?

— Cuméquié, baitola? Fala língua de homem aí.

— Não te entendo. Meu nome é Balder e sou chamado de o Bravo. Vim de Asgard para evitar um cataclisma na Kundalini. Mas cá estamos nós, na Lua que orbita Midgard.

— Mid-o-quê? Tu é estranho, cabeça de balde. Que porra é essa de Asgard?

— Não profanes o nome do local sagrado, criatura. Devo avisar-te que não faça isso. Mas... espere. Que é aquilo ao longe?

Os dois olharam para o horizonte. Um canyon se abria mais adiante, abrigando o que parecia ser uma cidade em ruínas.

— É para lá que vocês devem ir, ecoou uma voz atrás da estranha dupla.

Lobo e Balder se voltaram e viram uma figura de quase três metros, calva, vestindo uma toga azulada.

— Eu sou o Vigia e...

— Foda-se. — disse o czarniano.

— Acalme-se, ser. O que vêem adiante é a cidadela perdida dos krees. Aquele povo construiu este povoado eons atrás, como oferta de uma disputa. A cidadela têm estado em ruínas, desabitada, há eras incontáveis. É um tesouro sagrado, parte de uma face da cultura kree que já não existe mais.

— Caguei. Tá me achando com cara de museu, careca?

— Hoje, porém, há mais de um invasor aqui na Área Azul da Lua. Vocês dois não voltaram sós da Entrada Kundalini.

— Como é que tu sabe dessa parada da Kundalini, careca?

— Como eu disse, eu sou o Vigia. Minha função é observar, sem jamais interagir, os inúmeros acontecimentos do cosmos.

— Resumindo, tu é um punheteiro espacial. E daí?

— Darkseid também foi teleportado para a Área Azul. Me pergunto por que a Eternidade teria feito isso. O lorde de Apokolips tem conhecimentos esquecidos e arcanos. Ele já sabe onde está e a esta altura se encontra lá embaixo, nas ruínas, em busca de uma arma mortalmente poderosa que pode pôr fim a todos os reinos.

— Incluindo Asgard, calvo ser? — perguntou Balder.

— Temo que sim, deus da luz.

— Se assim é, devemos partir no encalço deste Darkseid o quanto antes.

— Falou tudo, boiola, aquele puto me deve um pagamento. Vamo lá embaixo.

Não perca, no dia 14 de maio, a continuação desta história, em Dark Side of the Moon.

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