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Lobo # 05

Por Alexandre Mandarino

Dark Side of The Moon

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Lua. Cantada pelos poetas, enamorada pelos amantes, cúmplice dos solitários. Como uma mulher, um de seus lados nos está sempre oculto. Invisível da Terra, este lado oculto abriga a chamada Área Azul, um enorme terreno na superfície lunar onde existe uma atmosfera respirável, criada há 10 milhões de anos pelos antepassados da raça Skrull. Aqui, membros ainda primitivos da raça Kree erigiram uma gigantesca cidade, hoje em ruínas. Criada para impressionar seus benfeitores Skrulls — tarefa na qual falhou miseravelmente, para desespero dos incontáveis mortos na guerra intergaláctica que se seguiu — , a cidadela sobreviveu à passagem dos dias, anos, séculos e milênios. Enquanto a vida na Terra evoluía a partir de protozoários, a estranha e vazia cidade era testemunha do próprio nada. De seus corredores abandonados, ecoa estridentemente uma perturbadora sensação de vigília; pode-se facilmente acreditar que a cidade dos Krees estaria ali, intocada, até o fim dos tempos.

Seu vizinho mais próximo compartilha com a cidade a solidão e a função de testemunha. Uatu, o Vigia do nosso sistema solar, também vive na Área Azul da Lua há incontáveis eras, observando os acontecimentos do cosmos sem nunca intervir.

Bem, quase nunca.

Sua gigantesca residência é invisível a olhos e equipamentos humanos, talvez porque na verdade não esteja localizada no satélite. A casa do Vigia pode estar em outra dimensão e somente sua entrada deva se localizar na Lua. Quem sabe? Com certeza não os Inumanos, povo artificialmente criado pelos próprios Krees, em tempos ancestrais da Pré-História terrestre. Ironicamente, segregados por suas diferenças, estes filhos dos Krees somente encontraram refúgio em outra criação daquela raça: a cidadela. Desde que abandonaram as montanhas do Himalaia e a própria Terra, anos atrás, os Inumanos vivem em um setor da cidade Kree, em convivência pacífica com o Vigia, o silêncio e as ruínas. Do outro lado da Lua, perto de onde ainda tremula uma bandeira americana fincada pelo astronauta Neil Armstrong, existe a Torre de Vigilância da Liga da Justiça. Alguns dos seres mais poderosos da Terra se encontram ali, vigiando o que acontece em todo o setor. Com exceção, ironicamente, da própria Lua. Além de possuir uma atmosfera própria, criada pelos Krees, a Área Azul é recoberta por um campo de força intangível e invisível, erguido pelo Vigia, em busca de privacidade e proteção. Assim, olhos humanos e máquinas veriam a cidadela Kree e a morada dos Inumanos, mas nunca seriam capazes de, em condições normais, visualizar a residência de Uatu ou detectar acontecimentos mais estranhos que tomem lugar ali. A Torre de Vigilância vigia tudo, mas não vigia o Vigia.

— Caralho, tu gosta mesmo de falar, hein? Quem é essa tal de Karnilla, afinal? — vocifera nosso herói.

— Minha amada e inimiga de meu povo. É por ela que meu peito clama. — responde o Deus da Luz.

— Quando vejo mulher gostosa, é outra coisa minha que clama... — diz Lobo.

— És mesmo um grosseirão. Mas se a ameaça sobre a qual o Vigia nos advertiu for realmente tão intensa, devo acompanhá-lo em busca deste Darkseid. Já o enfrentastes?

— Putz. Tu fala igual sei lá o quê. Mas já, já dei uns cascudos nesse boiola, sim. Foi lá na Entrada Kundalini. O mais foda é que ele me contratou e ainda não me pagou. Ah, ninguém faz isso com o Maioral, xará, ele vai ver só uma parada.

— A que tarefa fazes referência?

— Hã?

— De que serviço falas?

— O prego me pagou pra apagar a piranha da Eternidade. Eu teria conseguido, se não fosse o merda do Darkseid se meter na hora.

— Que dizes? Querias matar a Eternidade?

— Claro, o carranca me prometeu 700 toneladas de Flippox®?a melhor ração pra golfinho da galáxia. Essa porra é cara pra cacete e eu ia economizar uma grana com meus bichinhos.

— Ao menos percebo que aprecias os animais.

— Meu saco... Tu veio de onde mesmo?

— Da dourada Asgard. A terra dos deuses aesires.

— E lá todo mundo é assim meio boiola?

— Já deves ter ouvido falar de Thor, o Deus do Trovão. Ele costuma agir em Midgard. É um guerreiro valoroso e um grande amigo.

— Todo mundo lá é bonzinho assim, é? Que merda de lugar!

— Nem tanto. Loki, meio-irmão de Thor, aplica a si mesmo a alcunha de Deus do Mal.

— Loki, é? Já ouvi coisas sobre esses caras, mas achei que eles não existissem. E tu tá me falando que vocês são deuses? O prego do Darkseid aí garante que é a mesma coisa. Mas na hora da porrada cantar, todo mundo fica fininho na mão do Maioral.

— Silêncio. Veja, basta descermos mais este paredão de pedra e estaremos à borda da cidade abandonada. Me parece que ali existem apenas construções em ruínas. Que arma o Vigia tanto temia que fosse encontrada por Darkseid?

— Saia das sombras! Quem está aí, espreitando o Lorde Negro de Apokolips?

O grito de Darkseid não obtém resposta. Em um cômodo no outro extremo da cidade Kree, o senhor das sombras usa uma variação negra da Caixa Materna para vasculhar as ruínas. Percebe, então, que é observado.

— Saia! Ou meus raios Ômega se encarregarão de expulsar você daí, vaporizado!

— C-calma, Lorde de Apokolips. Estou saindo. Não vim para fazer mal. — diz um homem de cabelos negros e roupa branca, típica de asilos para insanos. — Quero ajudá-lo em sua busca.

— O que sabe da minha busca? E quem é você? Vamos, fale!

— Meu nome é Maximus, senhor. Sou da raça dos Inumanos.

— Ah, a criação dos Krees, que dizem viver aqui na Área Azul. Então vocês realmente existem?

— S-sim, Darkseid. Nós existimos. E eu deveria ser o monarca de direito de Attilan, a cidade dos Inumanos. Mas meu maldito irmão, Raio Negro, temendo minha superioridade, me enclausurou em um hospício. Eh. Mas consegui fugir, entrando por uma canaleta de esgoto. Tive que ficar fora da vista de um ou dois Alfa-Primitivos, que trabalhavam lá embaixo, nas galerias. Mas aqui estou, livre novamente, para recuperar meu trono.

— Isso explica porque fede tanto. Mas o que você fará se recuperar o trono?

— Primeiro, decretarei a execução de Raio Negro e o restante da ridícula família real! — berra Maximus, com um brilho ensandecido nos olhos. — Menos Medusa... Ah, Medusa. Rasparei seus cabelos selvagens e ela será minha por todas as noites. Depois, lançarei da Lua diversas bombas com a Névoa Terrígena e todos na Terra se tornarão deformados como julgam serem os Inumanos.

— Hum... Me parece uma boa linha de governo. Mas em que acha que pode me ajudar?

— Imagino que esteja procurando artefatos bélicos deixados pelos Krees. Sozinho, será quase impossível encontrar algum. Quando ergueram esta cidadela, os Krees eram pouco mais que selvagens, desprovidos de tecnologia. Mas algumas expedições estiveram aqui em tempos mais recentes. Uma delas, aliás, escondeu a arma mais temida pelos Krees. — diz Maximus.

— Você não está falando de...

— Sim. O Projetor de Omni-Ondas.

— Até que é bonito estarmos nas estrelas. Gosto dessa paisagem, desse horizonte repleto de pontos de neon no breu. — diz Karnak.

— Sim, mas ainda sinto saudades da Terra. Me sentia mais protegido no Himalaia. Era mais acolhedor. Aqui, me sinto... exposto. — responde Gorgon.

— Mas a poluição gerada pelos humanos nos ares e oceanos estava nos matando. Melhor ficarmos aqui do que morrermos. E não se esqueça que os Inumanos sempre viveram isolados.

— Sim. — diz um pensativo Gorgon. Ele e Karnak estão caminhando há pouco menos de uma hora. Já passaram pelos portões reais de Attilan e se encontram na parte não-habitada da cidadela Kree.

— Seremos realmente tão diferentes? Será que somente em um satélite desabitado podemos encontrar nosso lugar? — filosofa Gorgon.

— Bem, nenhum humano possui cascos, como você. Cascos capazes de fazer tremer a terra. E tampouco nenhum deles possui minha habilidade de descobrir o ponto fraco de qualquer objeto. Domino técnicas e artes marciais das quais os humanos nunca ouviram falar. Não somos como os demais terrestres, Gorgon. Ao menos, não como os chamados "normais". E você bem sabe o que os humanos pensam do que é diferente. Lembre-se daqueles... como é mesmo nome deles? Alguns deles usam a letra "X" em suas roupas.

— Mutantes. — responde Gorgon. — Mas eles são...

zzzzzzzzzzzzmmmmmmmmmmmmmmmmmmmmm

Um leve e estranho som interrompe as palavras do inumano.

— Ouviu isso? Como metal arrastando ou o ranger de uma porta. Veio daquele quarteirão mais adiante, acho. Mas esta não é uma cidade abandonada? — diz Gorgon.

— Vamos verificar. — completa Karnak, seguindo a origem do som.

— Caralho, como é que a gente vai achar o carranca no meio dessa tralha? Só tem pedra, poeira, casebre, torre, caverna, cabeça de pedra que roda, barraco, prédio... — reclama Lobo.

— O que disseste?

— Hã?

— Que cabeça de pedra? — pergunta Balder.

— Cabeça de pe...? É verdade! Ali, ó! Bem que eu falei. Tá vendo aquela torre? Tem uma cabeça lá em cima que tá rodando. Caralho, agora parou. Mas ela tava virada pro lado de lá. Alguma coisa fez a parada rodar.

— Ou alguém. Vamos até lá. — decide o Deus da Luz.

— Gorgon, está vendo? Lá no alto, na torre. Aquela construção em forma de cabeça parece ter girado. Ela ficava voltada para o outro lado, lembra?

— Nunca sequer tinha reparado naquela coisa, Karnak.

— Bom, essa é uma das vantagens de se ter poderes como os meus. Eu reparo em tudo, estou sempre observando os detalhes.

— Chega de falar, vamos até lá.

— É aqui, Lorde Negro. Tarááááá! Eh, eh! Dentro desta câmara. — saliva Maximus — Basta passarmos por este corredor e... aqui está ele! Darkseid, Projetor de Omni-Ondas! Projetor de Omni-Ondas, Darkseid! — Maximus grita como se estivesse possuído.

— É verdade. Então este artefato existe mesmo. A arma capaz de gerar um raio mortal poderoso o suficiente para aniquilar todos os Krees do universo. Parafraseando você, Maximus, diante desta arma só posso dizer uma coisa. — fala Darkseid.

— É? O quê?

— Maximus, raios Ômega. Raios Ômega, Maximus.

Com estas palavras, o senhor de Apokolips dispara dois feixes de seus raios mortais, que atingem em cheio o inumano. Maximus emite um grito surdo, se contorce e cai no chão. "Sorte deste verme que estou enfraquecido após o encontro com a Eternidade. Ele deve sobreviver", pensa Darkseid. Em seguida, caminha até a estranha aparelhagem à sua frente. Após examiná-la por alguns instantes, o Lorde Negro chama Desaad telepaticamente. De Apokolips, o mago servo responde:

— Sim, meu senhor? O que dese... Pela Fonte!! Senhor, isto à sua frente é um Projetor de Omni-Ondas? — diz o homenzinho, estupefato.

— Sim. Desaad, chame um dos cientistas-negros. Ou então chame a Vovó Bondade, ela entende de armamentos.

— Mas, senhor... O Projetor... Ele...

— Chega, Desaad. Chame logo alguém capaz de me explicar como isto funciona.

— Milorde, este aparelho é capaz de matar todos os Krees do universo, com apenas uma descarga.

— Sim, por isso eles devem tê-lo escondido aqui, na Área Azul da Lua terrestre.

— E o que pretende com ele?

— O que você acha? Matar todos os Krees do universo com apenas uma descarga. Uma raça inteira irá perecer e isto ainda irá abalar fortemente o império Shi'ar, que atualmente controla os Krees. Os territórios de Lilandra se tornaram muito extensos para o meu gosto.

— Entendo... err... senhor, o cientista Maraal já chegou. Vou transmitir esta imagem mentalmente para ele. — diz Desaad.

— Pela Muralha! É mesmo um Projetor de Omini-Ondas! — Maraal fica boquiaberto com o que vê — Pensei que os Krees tivessem destruído todos os modelos desta máquina.

— Chega, cão! Como eu a ligo? — pergunta Darkseid, impaciente.

— Err... certamente, senhor. Ligá-la? Bem... deixe-me ver... Ah! Basta encaixar os dedos das mãos nestas manoplas à sua frente. Isso, meu senhor. Agora, concentre-se. A arma é ligada através do poder mental. — explica o cientista.

— Maraal, o Projetor, antes de ser uma arma, é um comunicador potentíssimo. Tem certeza de que é assim que... — interrompe Desaad.

— Claro. Você pode dominar as artes arcanas, mas o mundo da exatidão é meu. — retruca o cientista.

— Calem-se, inferiores! — brada Darkseid. — Já fiz o que falou. Agora devo me concentrar em quê?

— Err... na raça Kree, senhor.

Pouco depois de ter encaixado seus dedos nas manoplas que saem das laterais da estranha máquina, Darkseid começa a sentir calor. Subitamente, o contato com Desaad desaparece. O Lorde Negro não consegue se libertar da máquina, que parece querer sugá-lo.

— Aaaaahhhh! — grita o vilão.

Em Apokolips, Maraal berra: — Desaad, por que perdemos o contato? O que houve?

— Não sei, cretino. Diga-me você, que "entende de exatidões".

— Mas... Pela Anti-Vida! Pelas fossas ardentes! Estou perdido! — o cientista exibe um ar desesperado enquanto fala, as mãos na cabeça..

— O que houve idiota? — pergunta o mago.

— Esqueci de um detalhe importante! Sabia que estava relevando algum dado. Somente um Kree pode fazer a máquina funcionar corretamente. Ela responde à genética daquela raça!

— E o que acontece com quem não é Kree ao usar o Projetor? — pergunta Desaad.

— Creio que a morte.

Darkseid urra de dor. A máquina não emite nenhuma descarga, nenhum sinal de que a raça Kree está condenada. Ao invés disso, o Projetor opera de acordo com sua função original: um poderosíssimo comunicador extragaláctico. Darkseid sente todas as coisas ao seu redor. Os pensamentos impublicáveis de um mercenário czarniano. A insuportável nobreza de um deus asgardiano. Em Attilan, uma rainha penteia seus longos cabelos, segurando três escovas de marfim com as próprias mechas vivas de sua cabeleira. Um ser anfíbio e esverdeado sente os prazeres físicos e mentais de um banho na piscina real, se alegrando com a água que é sua fonte de vida. A máquina parece vasculhar a Lua à procura de algo, algum sentimento, que pudesse ser compreendido por Darkseid. Alguma emoção, um fiapo de pensamento que fosse capaz de ser absorvido pelo Lorde Negro. As imagens e sensações são projetadas diretamente no córtex cerebral de Darkseid, que geme em agonia. Em uma frequência e velocidade cada vez mais aceleradas, as imagens se sucedem a uma velocidade estonteante. Com elas, vêm as sensações: bondade, luxúria, nobreza, prazer, felicidade, truculência. Todas, de uma forma ou de outra, intimamente ligadas à vida. E vida é algo que Darkseid não tolera ou compreende.

Repentinamente, o Projetor focaliza sua atenção nos subsolos da cidade real dos Inumanos. "Aaaahhh", deleita-se Darkseid. Finalmente, algo que o Lorde Negro é capaz de assimilar. Sofrimento. Culpa. Preconceito. Revolta. Desprezo. Dor. Emoções que alimentam o senhor de Apokolips.

Alfa-Primitivos.

Mantidos em estado de escravidão por incontáveis eras, a estranha espécie de Inumanos com o código genético estável é um verdadeiro recipiente de dor. Mas logo o prazer de Darkseid passa. A retrocarga causada pela projeção de culpa e sentimentos inferiores é gigantesca. Incapaz de suportar a intensidade da dor de milhares de seres, o desprezo aplicado a toda uma coletividade, Darkseid grita e tomba inconsciente. Imediatamente, um encanto protetor gerado por Desaad antes da partida do Lorde Negro se manifesta: o corpo do monarca caído é convertido em dois feixes de raios Ômega e o senhor de Apokolips é imediatamente conduzido ao seu planeta-natal.

Deixando para trás uma das armas mais poderosas do universo, que fumega.

Finalmente, Balder e Lobo chegam ao pé da torre.

— Puta que pariu, isso é alto pra dedéu. Como é que vamos subir nessa porra?

— Por Odin, havemos de pensar em alguma artimanha.

Mal acaba de dizer estas palavras, Balder sente um arrepio percorrer sua espinha. O barulho abafado de centenas de pés se faz cada vez mais nítido.

— Estás ouvindo? Me parece uma marcha, mas com que propósito sinistro?

— Sinistro mermo. Que porra é essa?

Imediatamente, centenas de Alfa-Primitivos cercam a torre, em uma tentativa desesperada de alcançar aquilo que os estava chamando. Como mariposas atraídas por uma vela, toda uma raça segue numa busca involuntária e desesperada de algo que, em suas cabeças, lhes parece prometer o fim de sua escravidão.

— Gizz de feetal! Agora cagou de vez! Olha só, boiola da luz, uma caralhada de neguinho verde vindo pra cá. Acho bom que tu saiba usar essa espada mesmo e que ela esteja afiada! — diz Lobo, desenrolando sua corrente.

— Que Bor e Buri nos protejam! — clama Balder.

— Gorgon, veja! São os Alfas!

— Por Attilan! Karnak, parece que todos eles estão se dirigindo para a mesma torre que nós. Precisamos chegar antes. Mas como? Eles estão em um número incontável!

— Por aqui! — responde Karnak. — Você sempre me perguntou o que eu tanto fazia perambulando pelas ruínas, lembra-se? Pois bem. Eu consigo descobrir os pontos fracos de qualquer objeto, qualquer arma, qualquer guerreiro, e golpeá-lo. Isso inclui prédios e até mesmo cidades. Descobri várias passagens secretas pela cidadela. Se entrarmos nesta casa vazia, uma escada no subsolo nos levará diretamente para o alto daquela torre. Vamos, entre. O que quer que esteja atraindo os Alfas, está lá no topo.

A dupla inumana entra na pequena construção. Depois de abrirem um pequeno alçapão no solo, Gorgon e Karnak descem uma escada de pedra e, depois de correr por um longo corredor escuro, finalmente chegam ao início de uma nova escadaria em espiral, que parece não ter fim.

— Vamos subindo. É um longo caminho até o topo da torre. — diz Karnak.

— Quer dizer que você fica andando por estes lugares quando não tem nada para fazer? Você é louco...

Animados por séculos de clausura, escravidão, segregação e trabalhos forçados, os Alfa-Primitivos vêem em Balder e Lobo dois obstáculos entre sua raça e a liberdade prometida pelo Projetor. Milhares de braços passam a atacar a dupla ao mesmo tempo.

— Caceta! É a maior putada! — berra Lobo, rodando sua corrente. — Pode vir, negadinha, que o pau vai comer feio pra cima do rabo de vocês!

— Eles são realmente incontáveis, companheiro. Mas, para alguém que passou anos inteiros de sua vida combatendo um sem-número de inimigos mortos nos saguões fétidos de Hel, isso não há de ser nada. Que venham em nossa direção. Tombarão perante minha espada, nem que esta seja a última façanha de Balder, o Bravo! Por Odin! Por Asgard! O Deus da Luz não será dominado!

— Falou tudo, baitola! — grita Lobo.

Ainda que feridos pela espada de Balder e pelos golpes de Lobo, os Alfas continuam avançando, impulsionados pelo seu grande número. No alto da torre, Gorgon e Karnak finalmente encontram o Projetor de Omni-Ondas.

— O que é isso? — Karnak fica surpreso — Deve ser mais uma das armas escondidas aqui pelos Krees. Pensei que já tivéssemos descoberto todas.

— Isso não é nada. — interrompe Gorgon. — Veja quem está caído inconsciente na sala ao lado. Quem mais senão Maximus, o insano irmão de nosso soberano?

— É mesmo Maximus. Como ele terá fugido?

— Não me importa. Mas claramente foi ele quem ligou o aparelho. Com certeza pretendia controlar os pobres Alfa-Primitivos em uma nova rebelião para tomar o trono. Bem, terá de responder por mais isto quando acordar perante os acusadores de Attilan. — rosna Gorgon, com desprezo.

— Não há tempo para isto agora. Precisamos desligar a arma.

— Mas como, Karnak? Veja como ela é complexa. Não se parece com nada que eu já tenha visto. E não há tempo para chamar ninguém na cidade real. Todos devem estar dormindo.

— Faça silêncio e deixe eu me concentrar. Observando o aparelho atentamente, logo ele estará tão presente em minha mente que terá deixado de fazer sentido para mim. Neste exato instante, eu o terei compreendido por completo e saberei qual é seu ponto fraco.

— Resumindo, você vai desligar esse negócio na base da paulada? Karnak, ele pode explodir e destruir a própria Lua!

— Acalme-se, irmão. Sou Karnak, lembra-se?

Em meio à tensão e aos gritos distantes dos Alfas, Karnak concentra-se diante do Projetor de Omni-Ondas, utilizando todos os seus conhecimentos marciais de meditação. Gorgon sua e reza pelo melhor.

No pé da torre, a luta é desesperadora.

— Chega dessa merda! Eu tava me segurando, negada, mas agora vocês vão ver o que dá atacar o Maioral! Vamo levando correntada no lombo, seus sacanas!

Um dos Alfa-Primitivos, enrolado pela corrente, é imediatamente sufocado. Puxado para perto do czarniano, é levantado no ar pelo mercenário, que no mesmo instante arranca com as próprias mãos a cabeça do escravo.

Antes que pudesse pensar sobre a selvageria insana de seu aliado, Balder percebe que uma energia verde toma o corpo de Lobo. "É algo semelhante ao que eu vi na Entrada Kundalini", pensa o asgardiano. — Acautele-se! — grita o deus, correndo na direção do nosso herói.

— Pela caralha, é a porra da maldição da Eternidade. Matei o mané e agora...

Antes que possa terminar a frase, Lobo é instantaneamente teleportado para algum ponto aleatório do espaço-tempo. A menos de meio metro do mercenário, Balder é engolfado pela energia misteriosa e também desaparece. No alto da torre, um grito de libertação se fez ouvir:

— Chhhhoooooooooooo!

É Karnak, que desprende em um só golpe força, precisão e conhecimento contidos. Sua manopla de metal se choca violentamente contra o que parece ser uma pequena caixa no corpo do Projetor de Omni-Ondas. Uma explosão ensurdecedora e a arma desaparece quase por completo, virando literalmente farelo nas mãos de Karnak. No pé da torre, incapazes de lembrar o que havia acontecido, os Alfa-Primitivos voltam, cabisbaixos, para as suas tarefas sem fim.

— Parece que acabou, hein? — diz Karnak, ofegante.

— Sim. Mas ainda precisamos levar este crápula para a prisão real. — responde Gorgon, enquanto levanta o inconsciente Maximus nos ombros. — Vamos. Raio Negro precisa ouvir essa história.

A energia esverdeada finalmente se esvai. Lobo olha em volta e se vê em um belíssimo campo verde. Ovelhas pastam ao longe e pássaros voam sob um esplendoroso sol.

— Não é que ela fez isso mesmo? Caralho, sempre que eu matar algum mané eu vou ser teleportado? Isso é sacanagem, não se faz isso com um trabalhador. Sou um profissional, caceta, como vai ficar o meu ganha-pão? Que merda! E onde eu vim parar agora? E tu ainda veio comigo, perôba?

— Temo que o fato de eu ter sido pego pela mesma rajada de energia Kundalini tenha influído em seu atual paradeiro, mercenário. Reconheço estes campos. Mais à frente, além daquelas árvores de copa frondosa, localiza-se o palácio real de minha amada Karnilla. Estamos no Reino das Nornes.

— Nornes? E onde fica essa buçanha?

— Ora, em Asgard, onde mais?

Balder!
Karnilla!
Heimdall!
Volstagg!
Hogun!
Fandral!
Sif!
Odin!

E nosso herói enfrentando a terrível ameaça de Mangog!

Conseguirá o Maioral impedir o Ragnarok? Ou ele próprio será o Crepúsculo dos Deuses?

Saiba as respostas na continuação desta saga, no dia 10 de junho, no capítulo 6: "Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki, Bicho?".

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