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The Clash # 05

Por Alexandre Mandarino

A Estrela Z

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Doze quilômetros a oeste de Bagdá — 8h13

— À sua esquerda, Cavaleiro! Mande uma rajada bem ampla! — gritou Sam Wilson, agradecendo a existência de um sistema de refrigeração de ar em seu uniforme naquele deserto escaldante.

Abdul, o Cavaleiro Árabe, apontou sua cimitarra para o nada ao seu lado. A arma mística liberou uma forte rajada de energia. Algo invisível bloqueou o raio a poucos metros do herói saudita.

— Falcão, espero que não falhe com esses trecos. Somente você pode enxergar os esporos nanotectrônicos!

— Fica frio, cara. Tô vendo os bichos direitinho com o visor cibernético de meu capacete. Em dois segundos, a quatro horas de você... agora!

Uma nova rajada dizimou mais um “cardume” de esporos.

— Falcão, meu velho, isso tá cada vez mais estranho. Nada pior que lutar contra algo invisível!

— Relaxa. Falta apenas mais um grupo de maquininhas. Imediatamente abaixo de você, a quatro segundos... três... dois... agora!

A cimitarra mística cuspiu plasma novamente. Mas desta vez Abdul Qamar deu um grito agudo de dor.

— Não! — gritou Falcão, correndo na direção de seu companheiro. — Atire, Abdul! Alguns escaparam da rajada e estão na sua mão esquerda! Atire!

— Por... Alá! — sofria o Cavaleiro Árabe que, relutantemente, apontou sua velha arma encantada para a própria mão. A rajada tornou seu braço brilhante por um momento. No instante seguinte, o saudita jazia desmaiado sobre seu tapete voador. Ao se aproximar, Sam Wilson levou a mão à boca.

— Meu Deus! Ele... os nanorrobôs foram destruídos, mas... sua mão esquerda foi completamente devorada!

O herói do Harlem teria que contar apenas com seus sistemas de navegação e as asas criadas por T’challa, o Pantera Negra, para lidar com três problemas imediatos: um tapete voador desgovernado, que caía rapidamente sobre as dunas do deserto; um homem sem mão, que sangrava aos borbotões; e o ataque que seu mais fiel amigo sofria naquele exato instante. Metros abaixo da dupla de heróis, Asa Vermelha desviava das rajadas laser que partiam das duas naves da Hidra. A ave tentava se aproximar, mas era repelida pelas rajadas. Atento à situação, Sam Wilson ordenou mentalmente:

“Asa, ataque o piloto da nave mais próxima. O agente que controla a arma de raios não poderá atirar de tão perto. O problema é chegar até lá”.

Uma massa amorfa de agentes pisoteados foi a deixa para que os outros soldados da Hidra fugissem em pânico. Guy Gardner fez desaparecer o Megalon amarelo criado pelo seu anel energético e se viu sozinho no portão norte da base da Hidra.

— Isso, fujam seus merdinhas! BWAH-HAH-HAH, isso foi mais mole que dar um pau no Hal Jordan! Bom, tomara que Woo e os outros patetas tenham entrado pelo portão leste. Senão, que se danem. Eu resolvo isso sozinho.

Gardner entrou voando pelo portão. A partir de agora, teria que se cuidar. Os pelotões internos possuíam armas capazes de neutralizar a energia amarela do anel que havia pertencido a Sinestro, o lanterna verde renegado. Flutuando junto ao teto da base, escondido por uma viga, Gardner fez aparecer em sua frente uma cópia da planta da base, gerada pelo anel. O portão oeste ficava logo após um enorme galpão à direita. Lá, ele deveria retardar ao máximo os agentes da Hidra que operavam na base.

“Woo me disse que eu não devo aparecer... saco. Odeio isso. Tenho de criar coisas que sejam amarelas em sua forma original, para não despertar suspeitas... Qual a melhor opção?”

Enquanto Guy Gardner surpreendentemente pensava, Jimmy Woo, Katana e Paladino acabavam de penetrar na base da Hidra pelo lado leste.

— Vamos ter que nos separar — sussurrou Woo. — Vou por este corredor. Katana, você segue por este lado. Mas tome cuidado, fique nas sombras. Você passará perto do alojamento do esquadrão de superseres liderados pelo Mercenário. Nem pense em enfrentá-los sozinha. Eles já dizimaram um pelotão inteiro da SHIELD. Paladino, você segue o corredor oposto ao meu. É provável que encontre os laboratórios da Hidra.

— E o que tem no fim do seu corredor?

— A sala de controle da Estrela Z e os aposentos do Supremo Hidra.

— Por que não vamos todos para lá? A idéia não é desativar a Estrela Z? — quis saber Katana.

— Sim, mas não temos certeza da localização da sala de controle. Ela pode estar no caminho de vocês. Quem a encontrar primeiro dá um sinal pelo comunicador. Na nossa freqüência fechada, por favor. Não teremos problemas com os agentes da Hidra, já que Gardner os estará distraindo.

Esse é o problema — disse Paladino.

A muitos quilômetros dali, em uma majestosa sala adornada com finas tapeçarias, um homem sentado em um trono bateu palmas. Imediatamente, um lacaio entrou.

— Sim, celestial? O que deseja?

— A Estrela Z. Como vão os planos?

— Parece que tudo corre bem, celestial. Os agentes da Hidra sediados no Iraque deverão lançar o satélite em órbita em questão de minutos.

— Excelente. Isso ensinará os malditos americanos.

As garras de Asa Vermelha cortaram fundo o rosto do agente da Hidra. Com o choque, ele soltou o canhão laser e caiu da pequena nave. Seu grito cessou com um baque surdo nas areias do deserto. O canhão, ainda em funcionamento, girava descontroladamente, emitindo feixes laser. Um dos raios atingiu a segunda nave, que explodiu no mesmo instante. O piloto da primeira nave correu até o canhão para desligá-lo, mas foi desintegrado por um raio antes. Sem ninguém para pilotá-la, a nau veio ao chão e mais um estrondo se fez ouvir pelas dunas.

A ave chegou ao solo, guinchando, quase ao mesmo tempo que seu dono. Falcão pousou trazendo um ensangüentado Cavaleiro Árabe nos ombros. Deitando o herói ferido na areia do deserto, ele elogiou o companheiro:

— Parabéns pela performance, Asa. Vou indicar você para membro efetivo dos Vingadores.

— Cráááá.

Sam Wilson levantou vôo novamente e, segundos depois, voltava ao solo trazendo o tapete voador. Rasgando um pedaço da túnica do Cavaleiro Árabe, fez um curativo improvisado, estancando o sangue que jorrava de onde antes havia a mão esquerda de Abdul Qamar.

— Os nanorrobôs devoraram sua mão em menos de dois segundos. E dizem que a tecnologia ajuda o homem... Asa, você fica aqui guardando Abdul. Ele deve permanecer inconsciente por um bom tempo. Estas dunas irão esconder vocês dos agentes da base. Vou posicionar o tapete de forma que fique flutuando sobre Abdul, protegendo-o do sol. Ele precisa de cuidados médicos urgentes, mas isso não é possível. Agora vou entrar pelo telhado da base, como no plano original. Espere por mim.

Katana esgueirava-se pelos corredores. A manta-camaleão a escondia das câmeras, mas a poucos metros ela seria vista pelos inimigos. E haviam os sensores de calor. Perturbada, ela empunhou sua espada samurai. “Você quer sangue, não? Fique calma”.

Ao dobrar a esquerda, deparou-se com outro corredor. Abaixando-se, ouviu vozes ao rastejar sob uma janela.

— Eu sei, Nekra, eu sei! Mas quando recrutou a gente, o Mercenário disse que seriam apenas duas semanas de trabalho!

— Acalme-se, Condor. Lembre-se de que está falando com a deusa da escuridão. Depois de hoje, pegaremos a grana e iremos embora.

— Sim, me sinto mais... desconfortável sem o Homem-Absorvente por perto.

— Ninguém mandou o idiota se envolver em trabalhos por fora e terminar preso (*). Mas acalme-se. Fixer está na sala de operações, ajudando nos trabalhos com a Estrela Z. Tubarão Tigre, Mercenário e aquele monstro horrendo estão cuidando da segurança e logo nos chamarão. Temos que estar a postos.

“Monstro horrendo?”, pensou Katana, intrigada. “Gosto cada vez menos disso”. Enquanto decidia se aproveitava o elemento surpresa para invadir o aposento e atacar Nekra e Condor, a japonesa foi surpreendida pelo barulho de uma porta. Voltou-se com a katana em punho. No fim do corredor, Paladino caminhava em sua direção.

— Você me assustou — sussurrou a guerreira.

— Bom saber que você também se assusta — gracejou Paladino.

— O que está fazendo aqui?

— Esses corredores são um labirinto. Na minha direção não havia nada, só aposentos vazios. Segui o caminho indicado por Woo e terminei aqui. Parece que pegamos rotas diferentes para o mesmo ponto.

— Sabe quem está aqui? Condor e Nekra.

— Sério? Isso complica tudo. Nekra é cascuda.

— E falaram de um “monstro horrendo”.

— Será que já toparam com o Gardner?

Porta-aviões aéreo da SHIELD, sobrevoando local desconhecido. Sala de Criogenia do Departamento Clash.

Sue Dibny acordou ouvindo vozes desconexas.

— Caíram?... Mas como isso... Não, não está rachado... Quero dizer, os números um e dois, não...Gaffer, veja...

Sue sentou-se no chão, ainda tonta.

— O que... o que aconteceu?

— Sra. Dibny! — Gritou Gaffer, correndo em sua direção. — Você está bem?

— Sim... eu acho. Parece que desmaiei.

— Sim. Um dos soldados passou por aqui em sua ronda e a viu caída no chão. Ele me chamou imediatamente e eu vim com a segurança. Susan... tente se lembrar. Você mexeu nos cilindros criogênicos?

— Não.

— Está certa disso?

— Eu tenho certeza! Ouvi um barulho estranho vindo desta sala e vim ver o que era.

— Um... barulho?

— Sim, uma espécie de uivo ou arranhão.

— Descobriu de onde vinha?

— Sim, parecia vir do cilindro número três.

— Pelos charutos do Fury... O que Woo foi arrumar?

— Como assim?

— Susan, quando chegamos aqui, um dos cilindros estava caído no chão.

Gaffer foi interrompido por um dos soldados.

— Desculpe-me, sr. Levine, mas quando passei aqui durante a minha ronda, a Sra. Dibny estava desmaiada e dois dos cilindros estavam caídos ao chão: os de número um e três.

— Sim, isso não importa. Os demais cilindros estão intactos. Mas algo escapou do cilindro três. — disse Gaffer.

— O quê? — espantou-se Sue Dibny.

— Sim, parece que o que quer que estivesse dentro do tubo criogênico conseguiu escapar. O cilindro três está rachado e não há nada dentro dele. Nada... além desta gosma nojenta.

— Gaffer... o que havia aí dentro? — perguntou Sue.

— Não sei. Só Woo sabe.

— Vamos perguntar a ele.

— Impossível — sorriu Gaffer. — A essa altura, ele deve estar no interior da base da Hidra. Qualquer tentativa de comunicação pode denunciar sua posição.

Enquanto isso, nos tubos de ventilação do porta-aviões aéreo, algo rastejava.

— Iniciar contagem regressiva para o lançamento da Estrela Z — ordenou o Supremo Hidra.

Imediatamente, os cientistas-chefe, auxiliados por Fixer, começaram a operar os painéis de controle.

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— Perfeito — sorriu o Supremo Hidra.

A contagem se fez ouvir por todo o sistema de som da base.

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“Maldição”, pensou Jimmy Woo, observando a sala de controle através de uma vidraça. “Cheguei tarde demais. Eles anteciparam o lançamento”.

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— Hã? Está ouvindo isso, Paladino? Devem estar lançando a tal arma — disse Katana.

— Droga! Isso não pode acontecer!

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— Você nem imagina o que não pode acontecer, Paladino — fez-se ouvir a voz do Mercenário, que observava a dupla de uma das extremidades do corredor.

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— Fedeu — disse Paladino. — Katana, prepare-se.

— “Prepare-se”? — riu o Mercenário. — Ah, Clash... Vocês são o time mais ridículo que eu já vi.

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— Pode entrar, turma.

Sob as ordens do Mercenário, várias portas se abriram e o esquadrão de defesa entrou na sala.

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Nekra e Condor saíram do aposento onde estavam. Da extremidade oposta à posição do Mercenário, entrou um sorridente Tubarão Tigre.

— Está com seu seguro de vida em dia, Katana? — perguntou Paladino.

— Sim... ele está bem aqui nas minhas mãos... IAAAAAAHHHHHHH! — gritou a pequena samurai, saltando na direção do Mercenário.

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“Que porra de contagem é essa? Os caras não podem estar liberando a tal Estrela... ou podem?”, pensou Guy Gardner. “Bom, os agentes estão ficando agitados. Mas se pensam que vão sair desse galpão, estão enganados”.

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Tiros de um par de pistolas automáticas estilhaçaram a vidraça da sala de controle. Jimmy Woo gritou:

— OK, parem com isso ou eu estouro suas cabeças!

O Supremo Hidra riu e disse:

— Senhores, continuem. Fixer... tenha o prazer.

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Paladino atirou para a outra extremidade. Tubarão Tigre gargalhou e saltou para o lado. Atrás dele, algo gigantesco se movia.

— Vocês já conhecem o Orca?

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— EEEEEEEAAAAARRRRRRRRmatarmatarmatarEEEEEARRRRRRRRRRRARARRRRRRRR

Enquanto o monstro deformado urrava, um som de explosão tomou a base da Hidra, que tremeu em suas fundações.

No teto, uma abóbada imensa se abriu para dar passagem ao foguete que colocaria em órbita a Estrela Z. Assustado, Sam Wilson se afastou. “Meu Deus. Eles ativaram a arma. E nem sabemos o que ela faz”.

Quatro parafusos voadores saltaram das mãos de Fixer, voando rapidamente em direção ao crânio de Jimmy Woo. O agente atirou e destruiu em pleno ar dois dos artefatos. Usando um golpe de tae-kwon-do, saltou para trás e escapou momentaneamente dos outros dois.

— Supremo Hidra, preciso da sua ajuda. Venha cá.

Agarrando o chefe da base pelo pescoço, Woo aguardou a aproximação das duas engenhocas restantes. Quando elas iniciaram um vôo descendente em sua direção, Woo puxou o Supremo Hidra para a sua frente. Os dois parafusos posicionaram-se nas têmporas do vilão e começaram a girar. Um grito rouco e ensandecido acompanhou a trajetória dos aparelhos, que penetraram fundo no cérebro do vilão.

— Bem que diziam que você era o cabeça da Hidra — disse Woo. — Muito bem, Fixer, seu chefe morreu, pode tratar de cancelar esse...

Mas, ao se virar, Woo percebeu que Fixer e os dois cientistas-chefe haviam desaparecido.

“Maldição”. Woo se dirigiu para o painel de controle e percebeu, aterrorizado, as inscrições no mostrador: “Latitude: 39° 10’ Norte; Longitude: 72° 02’ Oeste”.

— Nova York.

Subitamente, a voz de Fixer se fez ouvir:

— Woo, Woo... foi bom rever você. Mas não sou idiota. Estou me mandando. Mas antes quero deixar dois presentes para você e seu ridículo Clash. Primeiro: fique sabendo que a Estrela Z usa energia processada a partir do DNA de skrulls mortos. Todos os novaiorquinos serão bombardeados com raios que os farão sofrer deformidades aleatoriamente horríveis. E todos ficarão verdes, não é lindo? Por que lhe contei isso? Tenho pena de inimigos ignorantes e adoro inimigos nervosos. Como você deve estar agora. Segundo presente: Atenção, agentes da Hidra. Aqui é o Fixer. O Supremo Hidra ordena que todos se dirijam para a sala de operações. Fomos invadidos. Matem qualquer estranho que aparecer.

“...qualquer estranho que aparecer.”

Com essas palavras, uma balbúrdia sem tamanho tomou conta do enorme galpão onde estavam os agentes da Hidra. No teto, flutuando escondido, Guy Gardner sentiu um arrepio:

“Opa, é a minha deixa. Esses caras não podem sair daqui. Mas o que eu posso criar com energia amarela que não levante suspeitas sobre a minha presença? Pense, Gardner! E o que pode deter seis mil agentes armados? “

Embaixo, os primeiros agentes se dirigiam para a porta.

— Pense, Gardner! Coisas amarelas! Seis mil! Ah! Já sei! Gardner, tu é um gênio!

Um barulho ensurdecedor tomou o galpão. A multidão de agentes da Hidra parou, intrigada.

— Estão... estão ouvindo isso? — perguntou um deles.

— É... parece que vem pra cá. Abre a porta.

— Eu não. Abre você.

— Cagões! Deixa que eu abro essa bos...

Mal as duas enormes portas se moveram, os agentes da Hidra recuaram, sem acreditar no que viam.

Seis mil agentes da IMA avançaram contra a multidão. Verde e amarelo se mesclavam, enquanto a batalha de agentes tinha início.

— Parece um tabuleiro de War! BWAH-HAH-HAH-HAH-HAH-HAH!

— Ora, você não acha mesmo que pode me enfrentar, sua cadela! — vociferou o Mercenário. — Já matei ninjas muito melhores que você.

Katana nada falava. O Mercenário era muito bom e se desviava de todos os seus golpes. Shurikens voavam rentes à sua cabeça. Até quando ela conseguiria se desviar?

Paladino parou e olhou para o monstro azulado de quatro metros.

— O Orca? Isso já é apelação!

— EEEEEAAAAAARRRRRRRmatarmatarEEEEEAAAAAAARRRRRRRRR

Aos berros e babando, Orca deu dois passos à frente. Paladino apontou suas armas laser e atirou na cabeça da criatura. Nada aconteceu.

— EEEEEEEAAAAAAAAARRRRRRRRRmatarmatarEEEEEEEAAAAARRRRAAARRARARRRRAAAAA

— Mate o idiota, Orca — ordenou o Tubarão Tigre.

Imediatamente, a gigantesca criatura estendeu as mãos, agarrou o Tubarão Tigre e bateu repetidas vezes sua cabeça contra a parede. Condor falou, surpreso:

— Putz! Nekra, o cara não disse que podia controlar esse bicho?

— Obviamente se enganou.

— E o que fazemos agora?

— Condor, está vendo aquela abóbada aberta lá em cima?

— Sim, claro.

— Você consegue voar e fugir levando uma pessoa com você?

— Sim, claro.

— Vamos embora.

— Claro.

No mesmo instante, Condor alçou vôo e começou a fugir... sem levar Nekra.

— Maldito traidor!

— Ah, ah. Use seus poderes de deusa, mocréia amarela! Eu é que não vou ficar por aí se até mesmo a Hidra tá levando a pior nessa histó...

Um baque surdo e Condor caiu como um pombo morto. Acima dele, Sam Wilson sacudia a mão direita.

— Quem é o próximo?

— Isso já foi longe demais! — gritou Nekra. — Agora chega!

A escuridão leitosa tomou conta de tudo. Katana sentia as shurikens e os braços do Mercenário zunirem ao seu lado. Falcão parou no ar, incapaz de saber onde estavam os outros membros do Clash. Paladino atirou o laser na direção onde instantes antes estava o medonho Orca.

— Samurai nojenta, eu estou acostumado com a escuridão. E você? — perguntou o Mercenário, antes de arremessar mais shurikens. Desta vez, duas delas resvalaram no ombro da ex-Renegada.

— Eh. Você não gritou, mas sei que te acertei. A próxima será na garganta, uma especialidade minha.

Dois baques surdos se fizeram ouvir. Depois, o silêncio total. Finalmente, Paladino perguntou:

— Pessoal, o que tá acontecendo? Como estão vocês?

No mesmo instante, a escuridão começou a desaparecer, desvanecendo como café solúvel. No chão, Nekra estava desmaiada. No outro canto, braços elásticos haviam imobilizado e deixado inconsciente o Mercenário. Apertando os olhos enquanto a claridade voltava, Katana enxergou o Homem-Elástico à sua frente.

— Treinamento ninja não é nada se você é um chiclete humano — brincou Ralph Dibny.

— E uma pancada com os pés na cabeça de Nekra mandou a “deusa da escuridão” pras cucuias — complementou Fera, atrás da vilã desmaiada.

— Bom, tudo está bem quando termina bem — disse Paladino.

Do alto, Falcão exclamou:

Bem? Como assim? Olhem pra ele!

— EEEEEEEEEAAAAAAAAARRRRRRRRRRmatarmatarEEEEEEEAAAAAARRRRRAARRRRRAARRRR

Na sala de operações, Jimmy Woo lutava com o painel de controle. Depois de analisar o funcionamento da máquina por alguns minutos, ele acreditou já saber o que fazer. Digitando o mais rápido que podia no teclado, introduziu novas configurações: Latitude: 33° 20’ Norte; Longitude: 44° 10’ Leste. Nos céus, o satélite que carregava a Estrela Z começou vagarosamente a mudar de posição. Em seguida, o agente sacou o comunicador:

— Gardner, como estão as coisas por aí? Precisamos ir embora daqui e já.

— Tá divertido, John Woo. Os caras da Hidra tão encurralados pelos meus amiguinhos.

— Que amiguinhos?

— Seis mil agentes da IMA.

— Da IMA... Gardner, você sabe funcionar quando quer. Pena que você quer muito raramente. Venha logo pra cá. Seus construtos podem se manter com você a distância?

— Por alguns minutos, sim. Mas eles podem perder a batalha. Sabe como é, construtos são burros. Até mais burros que agentes da Hidra.

— Porque são construtos ou porque puxaram a você?

— Hã?

— Esqueça. Crie mais mil deles e venha logo para cá. Me pegue na Sala de Controle e depois vamos procurar os outros.

— Minha Santa Aquerupita! É o Orca! — disse Hank McCoy. — Cadê o Thor nessas horas?

— Hah! Vós sois otimista de querer o Thor no Clash! — imitou Paladino.

O bizarro ser anfíbio caminhou até o grupo. Do alto, Falcão pensava no que fazer quando, subitamente, sentiu-se tragado para trás. Pinças amarelas puxaram a todos para fora da base da Hidra, através da imensa abóbada aberta.

— Segura aí, putada! Vamos viajar agora! — disse Gardner, controlando as pinças de energia.

— Vamos pra bem longe, Guy. — disse Woo. — Suma daqui o mais rápido possível. Cadê o Abdul?

— Tá logo ali fora! — gritou Falcão. — Pegue o Asa Vermelha, Gardner!

Guy criou mais três pinças, uma para o herói saudita, uma segunda para o pássaro e a última para carregar o tapete voador.

— Segura!

Em velocidade máxima, o estranho grupo voou rapidamente para bem longe. No espaço, a Estrela Z disparou um estranho raio verde.

— O que você fez, Woo? — perguntou o Fera.

— Redirecionei o raio da Estrela Z.

— Para onde?

— A base da Hidra, ora.

— E o que o raio faz?

— Parece que transformava as pessoas em deformidades meio skrulls. Mas cancelei o fator genético do raio e ele simplesmente vai desintegrar a base secreta.

Sem barulho algum, uma claridade verde colidiu contra a estação da Hidra, que desapareceu como se nunca tivesse existido. Em seguida, no espaço, um satélite com a programação alterada para se autodestruir explodiu, também sem emitir som algum. O Clash finalmente pousou, a muitos quilômetros de distância. Katana perguntou:

— Onde estamos?

Woo respondeu:

— Se meu GPS não pifou nessa história, na fronteira com o Irã. Falcão, o que aconteceu com o Cavaleiro?

— Nanorrobôs devoraram sua mão direita. Ele precisa de tratamento médico urgente.

— Vamos levá-lo conosco para o Porta-Aviões.

— Woo, você disse que o raio desintegrou a base da Hidra? — perguntou o Homem-Elástico.

— Sim.

— Quer dizer que seis mil agentes da Hidra morreram desintegrados? — gritou o Fera.

— E sete mil lindos construtos! — berrou Gardner.

— Cale-se, Gardner.

— Bem... só tenho uma coisa a dizer — finalizou o Fera.

— Deixe-me adivinhar — disse Paladino. — “O que vamos fazer com oito membros do Clash?”.

— Não... como vamos fazer para ir embora daqui se nossa nave foi destruída?

— Ora, isso é simples — disse Woo. — Gardner, crie uma nave de energia amarela e leve todos nós para casa.

— Fala a verdade: o que vocês fariam sem mim nesse grupelho?

— Cale-se, Gardner.

Fera voltou ao assunto:

— Quer dizer que Nekra, Condor, Orca e todos os outros também morreram?

— Vai saber — respondeu Woo. — Fixer fugiu. Talvez eles também tenham escapado depois de nós.

— Vocês estão esquecendo de algo — disse Elástico, abrindo os braços. — Vejam.

Um atordoado Mercenário caiu no chão pedregoso.

— O que... onde estou?

— Nós saímos tão rápido que nem deu tempo de soltar o cara — explicou Dibny.

— Hã? O Clash? Vocês tão brincando, né? — assustou-se o Mercenário.

Paladino se aproximou e disse:

— Sim, o Clash. E cante comigo, seu palhaço: “I fought the law / And the law won / I fought the law / And the law won”.

Epílogo

Em uma sala majestosa ornada por pratarias, um serviçal abriu uma cortina de contas.

— Celestial, tudo deu errado. A Estrela Z explodiu e a própria base da Hidra foi arruinada.

Um homem alto e magro, sentado de costas em uma cadeira de vime, levou as mãos ao queixo.

— Somente um contratempo. Existem outras bases. Outras Hidras. O que não nos falta é tempo. Procure saber como estão as operações na Escócia. Precisamos da argamassa pronta em dois meses.

:: Notas do autor

(*) Carl Crusher Creel, o Homem-Absorvente, foi preso por Thor quando tomou o estúdio da Rádio WHIZ para tentar obter a libertação de sua esposa, Titânia, em Flash # 06.



 
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