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The Clash # 04

Por Alexandre Mandarino

Ação e Reação

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12 Km a oeste de Bagdá, 07:15 AM

— Caceta, esse calor tá insuportável. Por isso esses caras são tão cretinos, qualquer um que more num buraco desses fica maluco — rosnou Guy gardner.

— Cale-se, Guy — advertiu Jimmy Woo.

— Jimmy, o Gardner tem razão. Esses disfarces são muito quentes — concordou Katana.

— Bom, acho que já podemos desligar os holos. Estamos longe da área metropolitana.

— Ou seja, no meio de um deserto nojento.

— Cale-se, Guy.

Hank McCoy e Ralph Dibny tentavam se manter em pé. Ainda atordoados, analisavam cada canto da prisão de metal.

— Pela careca de Xavier! Parece que não tem nenhuma fresta nessa caixa de metal — averiguou o peludo bioquímico.

— É verdade. Já tentei passar meus dedos por todos estes cantos e nada. Nem uma entradinha. Parece que... opa! Olha só! Meu nariz está tremendo!

— Nah, eu tenho mesmo que me virar pra ver isso? É asqueroso.

— Não, é sério, Hank, alguma coisa vai acontecer. Acho melh...

Uma explosão ensurdecedora impediu que Ralph terminasse a frase. Do lado de fora, militares iraquianos haviam encontrado a estranha cela de metal escondida no interior de um casebre e tentavam abri-la a força, utilizando explosivos.

O assassino conhecido como Mercenário fumava um charuto em sua sala na fortaleza da Hidra. Com a mão esquerda, brincava com três cartas de baralho. Uma campainha extraiu o sorriso de seu rosto.

— Sim?

— Mercenário, o Supremo Hidra quer vê-lo. Os testes preliminares da Estrela Z foram realizados.

— Já estou indo.

O bandido de aluguel arremessou as três cartas para o alto. A dama de espadas cortou o valete de copas bem no meio, separando as duas faces da figura. O rei de paus fez o mesmo com a dama de espadas e, em seguida, flutuou até o chão de madeira, onde caiu cravado como uma adaga.

— OK, qual é o plano, Woo? — perguntou o Cavaleiro Árabe.

— Antes de tudo, Abdul, gostaria de agradecê-lo por ter permanecido conosco. Você será de grande utilidade, ainda mais agora que perdemos o sinal de Dibny e do Fera.

— "De grande utilidade"? Esse Aladim com um tapete voador? BWAH-HAH-HAH!

— Cale-se, Guy. Respondendo à sua pergunta, Abdul, o plano é o seguinte: primeiro, acho...

Woo foi interrompido por Paladino:

— Ainda acho que deveríamos ter procurado Fera e o Elástico.

— Adoraria ter feito isso, Paladino, mas não há tempo. Não sabemos o que é a Estrela Z, mas ela será usada ainda hoje, se os testes da Hidra forem bem sucedidos. Temos que invadir a base com ou sem os dois.

— Eles não vão fazer falta nessa missão. Isso vai ser moleza.

— Cale-se, Guy. De qualquer forma, eles poderão nos localizar depois pela nossa freqüência GPS privada. Bem, o plano é o seguinte: Falcão vai na frente, voando baixo e de forma extremamente discreta. Sam, caberá a você verificar se existem defesas aéreas preliminares.

— E se existirem?

— Abdul irá com você e o ajudará a neutralizá-las.

— BWAH-HAH, gostei disso. Ação padrão do exército americano: mandar os negros na frente como bucha de canhão.

— Cale-se, Guy! — disseram todos, quase em uníssono.

— Gardner, você é um cão ainda mais asqueroso do que eu imaginava. Mas não perde por esperar — avisou Woo. — Bem, prosseguindo: nosso ridículo lanterna amarela vai gerar um monstro de energia ou qualquer coisa similarmente estúpida que seu cérebro de noz possa criar. Gardner, você fará isso no portão norte, dez minutos após a partida de Falcão e Cavaleiro Árabe. O lado norte abriga a maioria dos batalhões defensivos da Hidra. Com essa distração, eu, Katana e Paladino conseguiremos entrar pelos portões leste, de acordo com as plantas de nosso agente.

— Legal, você, a japinha e o Palermino entram. E aí não fazem nada lá dentro, né? Vão fazer o quê? Nem poder vocês têm!

— Pela última vez: cale-se, Gardner. Vamos sincronizar nossos relógios. Depois de nossa entrada, Falcão e Abdul poderão tentar entrar por esta pequena abertura de ventilação no teto da base — disse Woo, apontando um detalhe da planta. — Gardner, você entra cinco minutos depois e segue até este galpão no lado oeste da instalação. É lá que estará maioria dos agentes da Hidra desta base. Vamos ver se você é tão bom quanto arrota que é.

— Isso vai ser mole.

— Devem ser cerca de cinco mil agentes. Só um problema: eles sabem como neutralizar sua energia amarela. Por isso, você não pode aparecer. E será obrigado a criar construtos de seres ou objetos que sejam originalmente amarelos no mundo real, para não despertar suspeitas.

— Que sejam amarelos? Posso criar cinco mil Jimmy Woos?

— Ah, entre Mercenário. Nosso departamento científico acaba de me mandar as fotos do nosso último teste com a Estrela Z. Quer vê-las? — disse um sorridente Supremo Hidra.

— Tá.

— O DNA Skrull foi transformado com êxito em uma forma de energia radioativa. O agente geneticamente transformador na cadeia cromossômica desses seres permitiu que...

— Tô vendo. Que um monte de neguinho virasse monstro. Isso quer dizer que foi um sucesso?

— Absoluto. Estes pobres seres disformes que você vê nestas fotos são os nossos cinco agentes renegados. Eles foram bombardeados com os raios da Estrela Z e o resultado foi isto.

— Quatro monstros. Sobreviveram?

— Sim. Mas foram sacrificados em seguida.

— E o quinto agente?

— Vê a televisão atrás dos outros quatro?

— Sim.

— É ele. Também foi destruído em seguida.

— Isso é tão... Hidra da parte de vocês.

— Obrigado. E ainda é uma doce vingança contra aquele Skrull que ousou nos enganar, o "Hidra Sensacional".

— Quer dizer que...

— Quer dizer que hoje à tarde a Estrela Z estará em órbita. Quer dizer que hoje à noite metade da população de Nova York estará grunhindo e rastejando, em novíssimas formas esverdeadas. Quer dizer que temos maior poder de chantagem. E, principalmente, quer dizer que se você deixar alguém invadir nossa base nas próximas horas será um homem morto.

— Minha Santa Aquerupita! Ralph, estão tentando explodir a cela — gritou o Fera.

— E pior: conseguindo. Olha só aquela rachadura.

— Com toda a destruição a quarteirões daqui, só podem ser militares iraquianos tentando entrar. Precisamos nos disfarçar. Ligue seu holoprojetor.

— Para simular o quê?

— Hum... acho que a melhor opção é essa, veja: a 42.

— Ah, não, Hank. Isso é ridículo.

— Não é?

Do lado de fora, uma nova carga de explosivos era colocada ao lado da cela de metal. A explosão desta vez abriu uma enorme fenda na cela metálica. Os militares olhavam com expectativa para o interior do cubo, aguardando a fumaça esvanecer. Assim que isso aconteceu, dois vultos negros saíram pela fenda. Eram duas mulheres desesperadas, trajando indefectíveis trajes muçulmanos completos, incluindo o jihab, que cobria seus rostos. Em um árabe perfeito e histérico, uma delas, espantosamente gorda, gritava.

— Graças a Alá! Aqueles homens loucos nos prenderam ali dentro há horas. Ainda bem que vocês chegaram, bravos soldados do Islã!

Sem saber o que fazer, os soldados chamaram os paramédicos.

— Não, não é necessário. Estamos bem! Minha querida mãezinha! A pobre não tem notícias minhas há horas. Devo ir para casa confortá-la!

Assim que dobraram o quarteirão, a mulher mais magra disse para a outra:

— "Bravos soldados do Islã". E você ainda acha o meu nariz asqueroso?

— Cale-se, Dibny. O que você queria que eu dissesse?

— Sabe que seu falsete em árabe é uma gracinha? Se eu já não fosse casado com a Sue...

No porta-aviões aéreo, o Departamento Clash estava silencioso. Agentes de segurança observavam à distância a movimentação de Sidney Levine, o gênio conhecido como Gaffer, e Sue Dibny em frente ao painel de metrocomunicações.

— Fique calma, Sue. A ausência de comunicações recentes não configura necessariamente nenhum tipo de problema.

— Eu estou calma, Gaffer. Você é que não pára de andar pra lá e pra cá.

— É... bem, vou ver se está tudo OK com minhas pesquisas de telepresença.

Após a saída de Gaffer, Sue olhou por alguns minutos para o monitor enegrecido. Ela não estava preocupada com Ralph, sabia que ele se safaria fácil do que quer que encontrassem no Iraque. Era o tédio que a cansava. Subitamente, levantou-se e andou em direção ao seu dormitório. Seria bom se descansasse um pouco. Estava acordada há quanto tempo? Dezesseis horas? Mais? No corredor, Sue teve um sobressalto. Um ruído. Algo que parecia ser um uivo ou lamento. Sua nuca se arrepiou. Olhou em volta: o som vinha do laboratório de criogenia.

Abrindo a porta, Sue entrou com cuidado no estranho ambiente. O chão de azulejos, as paredes, as pias, tudo gritava estridentemente a palavra "limpeza". Em um canto, três tubos de metal e vidro deixavam vislumbrar por suas curvas translúcidas o que pareciam ser três pessoas congeladas. O primeiro deles estava escrito somente: "Cuidado". Sue olhou um pouco mais de perto. Nada. Parecia ser uma pessoa, mas não tinha certeza. No pé do segundo vidro estavam as letras "JM". Em seu interior, Sue conseguiu enxergar somente a cor azul. Súbito, o ruído de novo, mais alto do que nunca. Vinha, com certeza, do terceiro recipiente. Com os cabelos de seus braços protestando de pé, Sue aproximou o rosto do último invólucro. E teve finalmente duas certezas: algo se movia lá dentro. E esse algo não era humano.

O sol do deserto queimava o rosto de Sam Wilson. Impressionado pelo calor, ele não conseguia deixar de pensar na lenda de Ícaro à medida em que subia aos céus. Logo atrás dele, o Cavaleiro Árabe brandia sua cimitarra mística, voando de pé sobre seu tapete. À frente de Sam, seguia o amigo que mais vezes havia salvo sua vida ao longo dos anos: Asa Vermelha, o falcão que possuía há longos anos e com o qual — de acordo com o Professor Xavier, líder dos X-Men — mantinha um formidável elo mental.

Wilson olhou para baixo. Asa Vermelha estava nervosa. Apertando um botão em seu visor cibernético, ele ampliou o zoom eletrônico sobre o teto da base da Hidra. Alguma coisa levantava vôo em sua direção. Pareciam... esporos. Maldição. Eram pequenos esporos eletromecânicos, mostrando que a Hidra havia comprado novidades nanotecnológicas da sua antiga corporação irmã, a IMA. Asa Vermelha não teria nenhuma chance contra aqueles minúsculos robôs. Falcão chamou a ave mentalmente e, logo em seguida, visualizou inimigos mais ao seu alcance: três naves, cada uma delas tripulada por dois agentes da organização. No interior do prédio, o Supremo Hidra vociferava:

— Maldição. Mercenário, seu cretino! É aquela merda que se chama Clash!

— Ah, sim. The Magnificent Seven. Eh. Eles não perdem por esperar. Relaxe, Supremo.

Com essas palavras, Mercenário caminhou até a cela 12. "Vamos ver o que podem fazer contra a baleia".

— Cavaleiro, esporos minúsculos avançam em sua direção. Você não pode vê-los, mas eu posso enxergá-los através das lentes cibernéticas de meu visor — disse Falcão. — Não posso fazer nada contra eles, mas seus poderes místicos podem destruí-los. Espero.

— O que está me dizendo? Esporos nanotectrônicos? Pensei que somente a Shield tivesse essas coisas.

— Pois é. Vou observar a luta a distância, essas coisas podem me matar em menos de um segundo. Mas você terá que agir exatamente como eu mandar. E rapidamente.

— Vou tentar.

— Abra bem seus ouvidos e preste atenção nos comunicadores. A primeira leva está se aproximando a três horas de você.

— Quantos são?

— Sei lá, mas cobrem uma área de três metros. Cavaleiro, você já jogou Descent?

— Não.

— Uma pena.

— Falcão, e as naves com os agentes?

— Asa Vermelha cuidará deles — disse Sam, rezando para que estas palavras fossem capazes de se tornar realidade.

— Fedeu, gente. Falcão e Cavaleiro foram vistos. Já sabem que estamos tentando invadir — reconheceu Paladino.

Com o rosto franzido pela tensão, Woo disse: — Não adianta mais disfarçar. Gardner, voe já até o portão norte e brinque de Godzilla com aqueles sujeitos.

— É pra já.

Katana, Paladino, ativem seus mantos-camaleão. É só apertar o botão mais inferior do holo. Imediatamente, o trio se tornou quase invisível. Em seu lugar, a areia do deserto, que ficava turva à medida em que andavam.

— Morda-se de inveja, Predador... — disse Paladino.

— Saquem suas armas — disse Woo. — Assim que Gardner atrair a multidão de paspalhos para o portão norte, nós entraremos pelo leste.

— Minha katana já está em minhas mãos. Essa missão está me cansando. Tomara que os agentes dessa Hidra tenham bastante sangue para embeber as lâminas de minha amiga.

— Vem pro pau, Hidra de merda!

Aos berros, Gardner gritava para os primeiros pelotões de segurança do perímetro da base. Um gigantesco Megalon amarelo, de mais de quarenta metros de altura, esmagava os agentes da organização. Gardner aproveitava para berrar, já que sua atuação nos postos de segurança internos teria que ser às escondidas. Ao menos os agentes externos não eram capazes de anular seus construtos de energia amarela.

— Atirem! Não podemos deixar que essa coisa entre na base! — disse um dos soldados rasos da Hidra.

— Olhem! O monstro parece crescer ainda mais. Que sinistro!

— Sinistro, não. Sinestro — disse Gardner.

— É o Clash, Supremo. Olhe pelos monitores. Nos céus, localizamos o atleta alado conhecido como Falcão e a ajuda local do grupo, o Cavaleiro Árabe.

— Uma ameaça insípida. Nossos nanorrobôs aniquilarão os dois em segundos.

— No portão oeste, um lanterna verde ou algo assim parece ter criado um monstro.

— Já vi. Não é "um monstro", seu ignorante. É Megalon. Você não tem videocassete no seu quarto? — disse o Supremo.

— Senhor, devo lembrar que as possibilidades de encontrar uma locadora de vídeo neste deserto são...

— Cale-se. Os agentes do oeste não têm como anular a energia de um lanterna verde. Devo reconhecer que este ataque me surpreendeu. Agente 312, aja rápido: informe ao Mercenário para abrir a cela 12. E diga a ele para liderar pessoalmente seu esquadrão de supercretinos. Nekra já retornou?

— Sim, Supremo.

— Ótimo. Por fim, avise ao cientista-chefe que a Operação Tetris foi antecipada. Faça com que lançem a Estrela Z em órbita imediatamente. Estarei no meu bunker, controlando toda a operação.

— EEEEEEAAARRRRRRRARARARRRRRRRRR!

— Pare de berrar desse jeito insuportável ou eu não o tiro desta cela — disse o Mercenário para a criatura da cela 12. — Você quer matar, não quer?

— Matarmatarmatarmatarmatarmatarmatarmatarmatarmatarmatarmatar

— Tem certeza de que consegue controlar este trambolho, Tubarão-Tigre? — Perguntou o Mercenário.

— Claro. Este monstro foi criado pelo mesmo cientista que me deu estes poderes. Graças a este interfaseador de córtex criado pelo Dr. Dorcas, eu conseguirei guiar nosso monstrengo favorito até os invasores.

— Ótimo. Conto com você para controlar este bicho.

— Relaxa, Mercenário. Esse cara mal tem cérebro. É mole controlar o Orca.

— EEEARAARRRRRARAARRRRRRRRmatarmatarmatarRRRRRAAREEEEAAAARRRRRRRR

— AAAAAAAHHHHH!

Com um grito, Sue Dibny desmaiou. À sua frente, uma cápsula criogênica de aço e plexiglass começava a rachar.

E existiam tantos cantos e pequenos esconderijos no porta-aviões da Shield...



 
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