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Demolidor # 02

Por Alexandre Mandarino

Todo Castigo é Verde

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George caminhou mais alguns metros pelo campo verde e sentou-se na relva. O ar estava quente, mas era um dia agradável. Seu braço ainda doía do dia anterior, mas ele tentava esquecer esse incômodo olhando para as águas do lago. Quando sua mãe era viva, ele costumava nadar sempre ali, pulando das árvores vizinhas e dando braçadas até a outra margem. Mas isso foi em outra época, outra vida. Ele já tinha oito anos agora e não ficava bem um menino de oito anos ser visto nadando em um lago. Pelo menos era isso que seu pai dizia. Desde a morte de sua mãe, ele dizia muitas coisas.

Mosquitos passavam pela beira do lago, raspando na água e deixando arcos em sua superfície. George sentiu vontade de dar um mergulho, mas tinha que ajudar seu pai a recolher os ovos na granja. Pensando nisso, levantou-se novamente e seguiu seu caminho, dando um novo adeus para o lago. Após passar pelo pomar, ouviu gritos. Seu pai.

— George, seu desgraçado, cadê você? Ah, tá aí, é? E tá me olhando com essa cara por quê, seu miserável? Dá aqui logo essa garrafa.

O menino passou o vidro de bourbon para o velho, que o abriu, derramou vários goles em sua boca aberta e limpou o restante com as costas da mão.

— Você demorou. Foi a algum lugar?

— N-não, senhor. Vim direto da adega para cá.

— Não passou pelo lago?

— N-nã-não, senhor. Juro.

— Jura?

— J-juro.

Uma pancada e George voou até o outro lado do galinheiro. As aves saltaram, agitadas.

— Seu mentiroso desgraçado! Já lhe disse que mentira é coisa de comunista e vagabundo! Vou precisar limpá-lo mais uma vez. Venha cá, seu miserável!

O menu do dia para George foi surra de cinto durante mais de meia-hora no galinheiro, seguido por 44 pais-nossos e duas redações sobre a inegável moral de Abraham Lincoln.

— sangue parede sargento?

— vítimas pelo chão cabo.

— mas e o fígado dentro lata canto?

— cale agora! já disse esperar!

As vozes eram pouco mais que sussurros em sua cabeça. Aos poucos, tudo começava a clarear. Não era um sonho. Ele estava caído no beco. Sua cabeça doía. Olhou em volta e viu três policiais. Parte da sujeira já havia sido recolhida. Sorte. O sargento Tork era um dos policiais.

— T-Tork?

— Hein? Ora, então você finalmente acordou, demônio. Estamos aqui há mais de quarenta minutos e você já estava dormindo quando chegamos. Tentei reanimá-lo, mas nada. O que você viu?

— N-nada. — disse o Demolidor, recostando-se na parede do beco. — Ouvi ruídos horríveis, mas não cheguei a tempo. Encontrei somente os quatro corpos, mas um incenso ou algum tipo de gás me desacordou.

— Hum. Você não viu o atacante?

— Não, sargento.

— Demolidor, acho que não preciso lhe lembrar que estamos lidando com um estripador que praticamente tem assinado seus crimes com o seu nome, usando sangue. Eu o conheço há anos, mas metade da força policial de Nova York prenderia você com apenas estes indícios.

— Eu... imagino. Vou tentar encontrar o assassino.

— Sim, mas não se vá agora. Deixe aqueles dois idiotas novatos saírem do beco e suma daqui. Se levantar e fizer isso na frente deles, vão começar a atirar como palhaços. Mas lembre-se... encontre logo quem está fazendo isso, para seu próprio bem.

Na manhã seguinte, Foggy Nelson entrou no Fórum Municipal preocupado. Uma sala estava reservada para que conversasse com seu cliente e amigo de faculdade, Pereba Patterson. Sentou-se e ficou olhando a parede. Subitamente, Patterson entrou — ou melhor, foi jogado — na sala, acompanhado por dois brutamontes. Depois da saída dos policiais, Foggy suspirou e olhou para Patterson.

— Como você foi se meter nessa? Como, Patterson?

Ele olhava para a frente, seu rosto uma sombra sem cor.

— Estupro, pelo amor de Deus! E pior, você sabe o que acontece com estupradores na prisão.

Patterson desabou a chorar. Abalado, Foggy tentou consertar:

— Escute, eu sei que você não fez isso, mas precisa me explicar o que aconteceu para que eu possa defendê-lo.

— Foi uma armação, Franklin. — disse Patterson, com uma voz irreconhecível. — Ela me conheceu numa festa e acabamos ficando. Mas nada foi como ela alega, eu não a forcei a fazer nada. Deus, achei que tivesse encontrado um amor de verdade e me acontece isso. É isso que eu mereço por ser cretino a ponto de acreditar em qualquer uma. Ou melhor, por ser feio o suficiente para que minha maldita carência me coloque em situações como essa!

O choro agora era incontrolável. Foggy não sabia o que dizer, mas arriscou:

— Patterson, que eu me lembre você nunca teve problemas de auto-estima. Por que está dizendo isso?

— Você sabe, Franklin! Você sabe. Eu e você éramos amigos na faculdade. Duas pessoas alegres, brincalhonas, queridas, ninguém queria o nosso mal. Simplesmente porque ninguém se importava. Ninguém se importa com gordos e nerds, nós éramos apenas tolerados. Daí, quando achamos que resolvemos toda essa merda na nossa cabeça, surge alguém e estraga com tudo. "Bum!, bem vindo de volta à realidade, seu cretino. Lembre-se que é apenas um nada".

— ...

— Você sabe que é verdade, Franklin. Nós nunca fomos amados de verdade. As mulheres querem os estúpidos, os atletas, os musculosos. Nós somos apenas diversão, os "amigos". Elas acham que podem contar comigo para dividir confidências, mas não para dividir uma vida.

— Você está exagerando, Patterson. Todo mundo encontra alguém.

— Sim, mas quanto tempo dura? Quanto tempo durou o amor de Deborah por você?

— ...

— Eu... eu não... desculpe, Foggy, não quis dizer isso... eu...

— Está tudo bem. Acho que você tem razão em alguns pontos. Para seu bem e o meu, restrinja-se ao essencial: conte como foi.

— ... Certo. Seu nome é Fiona Lions. 39 anos. Rica e solitária. Se o que me disse era verdade, é viúva. Nos conhecemos na casa de um amigo e logo ela me convidou para sairmos dali. Fomos dançar e depois... bem, aconteceu. No dia seguinte, quando acordei, ela não estava em casa. Fui embora e, horas depois, fui surpreendido pela acusação de estupro.

— Isso é mais comum do que você imagina, Patterson. Tenha fé, vamos vencer essa, cara.

Foggy levantou-se para ir embora. Repentinamente, virou-se e disse:

— E me faz um favor, cara: pare com esse discurso de perdedor. OK, não se pode agradar a todo mundo. OK, nós somos gordos e na faculdade não ficávamos com ninguém. Mas somos adultos agora, temos nossas vidas e muita gente por aí gosta de gente assim, que não siga os padrões cretinos de "beleza" ou "masculinidade". Lembre-se do que importa, Patterson: bebida, gargalhadas, amigos e realizações.

— E boliche. — completou Pereba, sem graça.

— Boliche, muito boliche. — disse Foggy, abraçando o velho amigo.

— George, o que é isso? Seu mendigo miserável, criança maldita, o que é isso?

Olhos de oito anos se arregalaram, enquanto um cérebro ainda novo tentava entender o que acontecia.

— O que é isso?

— São... quadrinhos, senhor.

— Quadrinhos? E são americanos?

— Err... sim, senhor, são.

— Tem certeza?

— Sim, senhor. São de uma editora americana, a EC Comics.

— Deixe-me ver os nomes... Bernie Krigstein... Wallace Wood... John Severin... parecem americanos... então por que diabos este policial morre no final desta história?

O menino não conseguia dizer mais nada.

— Seu bastardo imprestável, filho do mal! Você é um pequeno comunista! Venha cá, verme!

Mais meia-hora de maus tratos e espancamento e, satisfeito, o velho Joshua — abraçado a uma garrafa de Southern Comfort — cambaleou até o porão. Voltou de lá com mais uma garrafa, que fedia tanto quanto ele. Derramou a gasolina sobre as revistas que George havia escondido sob sua cama durante quatro anos. Riscou um fósforo. O mundo de sonhos de George, suas viagens e seus amigos, tudo virava cinzas. Jogado a um canto do quarto, sangrando e com hematomas por todo o corpo, ele só conseguiu murmurar um pequeno adeus:

— Haunt of Fear...

A noite terminou com 52 aves-marias, duas voltas ao redor da casa principal carregando dois sacos cheios de lenha e três redações sobre o magnânimo Thomas Jefferson.

Natasha Romanoff abriu a clarabóia e desceu. Passou pelo corredor ornado com máscaras africanas e chegou ao quarto. Matt Murdock dormia pesadamente. Ela sorriu. Cutucou-o e ele murmurou:

— ... Natasha?

— Você é a única pessoa que sabe quem o acordou antes de abrir os olhos. São seis e meia da tarde, Matt. Sua carreira de advogado vai por água abaixo desse jeito.

— Eu... não tinha a intenção de dormir até tão tarde. Acho que fui drogado ontem. Algum tipo de incenso.

— Incenso?

Matt conta a história da noite anterior à sua ex-namorada e parceira de lutas. Franzindo a testa, a Viúva Negra disse:

— Esse é o motivo da minha vinda, Matt. Descubra logo quem é este maníaco ou a população começará a pensar que o Demolidor é o criminoso.

— Eu sei. Vou dedicar a noite de hoje a isso. Aliás, gostaria de...

Matt interrompeu a frase e disse:

— Quem será a essa hora?

Logo depois, o telefone tocou. Ele esticou o braço para atender.

— Alô. Ah, oi, Ben. Isso já está virando um hábito. Não, estou brincando. O que há de novo?

— Bom, tenho novidades quanto ao estripador. Boas e más notícias. Qual você quer primeiro?

— Conte a boa notícia. Deixe sua especialidade para o final.

— Muito engraçado. Bom, a polícia prendeu o estripador esta tarde. Quer dizer, acha que prendeu. Essa é a boa notícia.

— E a má?

— Ele é Melvin Potter.

— ...

— Ele foi preso agora há pouco, as seis da tarde. Estava enlouquecido, destruindo sua própria loja de fantasias.

— Ben, isso é impossível. Potter está regenerado há anos. Ele nem age mais como Gladiador há quase cinco anos!

— Diga isso para a polícia. O tenente Blackburn me contou que na loja foi encontrada uma caixa de papelão, contendo artefatos satânicos e as lâminas do uniforme do Gladiador, completamente sujas de sangue.

— Urich, isso é armação.

— Gostaria que fosse, Matt. Mas por que alguém iria querer incriminar você e o Gladiador ao mesmo tempo?

— Não sei. Talvez não haja lógica em seus atos. Este é o nosso erro: procurar a lógica. Talvez seja somente a loucura que guie a mente deste sujeito. Bom, vou ajudar Potter, ao menos legalmente.

Noite. As ruas do Brooklyn estão desertas, com exceção de duas sombras que avançam pelos seus telhados. Matt Murdock e Natasha Romanoff tentam não embaraçar seus cabos de aço enquanto se balançam pelos parapeitos e gárgulas de pedra. A Viúva Negra sente uma estranha e reconfortante sensação de deja-vu. Surpresa, ela credita à idade seu recente apego à nostalgia. O silêncio é quebrado por Matt:

— Sabe, não é a primeira vez que alguém tenta me incriminar. Já estou acostumado com isso. A diferença é que desta vez a coisa toda é mais... primal, urgente. Mais agressiva, quase irracional. Acho até que o objetivo nem é me incriminar, isso é apenas um efeito colateral. As inscrições, os chifres, remetem a mim apenas por coincidência. Minha idéia é que a mente desse assassino seja algo muito mais perturbado do que imaginamos.

Ela gostava daquela sensação. Matt, o ar da noite, um novo caso. Se a cena se passasse em San Francisco, poderia acreditar que estava vivendo momentos que aconteceram anos antes. Ela desviou o assunto:

— Matt, às vezes você não acha que já sofremos demais? Quer dizer, eu perdi meu primeiro marido e meu melhor amigo assassinados. Você já teve duas namoradas empaladas e uma terceira se enforcou. Será que nossa vida deve ser sempre essa desgraça?

— Você teve uma boa vida como agente russa e eu tenho lá meus momentos como advogado. Mas entendo o que você quer dizer.

— Não estou falando em parar, mas achar um maior equilíbrio.

— Será que isso é possível?

Os dois pararam por um momento em um telhado, observando a ponte do Brooklyn e os ciclistas e corredores ao longe.

— Não sei se é possível, mas acho que devíamos tentar.

— ... "devíamos"?

Nesse momento, um grito horripilante cortou a noite. Ao longe, os ciclistas pararam de pedalar e olharam para trás, intrigados.

— Veio de perto, Natasha!

— Onde?

— Três quarteirões. É ele, Natasha! — disse o Demolidor, enquanto avançavam para o local. — Meu Deus, ele é enorme. — (sons de passos) — Mais de dois metros e extremamente musculoso. — (batidas de coração) — Ritmo cardíaco lento e forte. — (som de carne sendo cortada e perfurada) — Está carregando uma foice. Temos que correr!

Mais uma vez, Matt chegou ao local tarde demais. O cadáver de uma senhora de mais de 60 anos estava caído em uma viela. Sua mão direita segurava uma sacola de uma loja de departamentos. Dentro da sacola, a sua própria cabeça. Natasha estava acostumada com horrores semelhantes, mas não resistiu e vomitou. Voltou a pensar na idade e no equilíbrio.

— Eu simplesmente não acredito nisso. Porque sempre chego depois que o maníaco escapou? Quem é esse cara? Como ele consegue sumir assim? Aliás, vamos sair desta viela. Se ele seguir sempre o mesmo M.O., em segundos o beco vai estar cheio de incenso.

Sem dizer nada, com o rosto fechado, Natasha retirou dois respiradores de seu cinto e passou um para Matt. Os dois examinaram o local. A senhora morta parecia ter mais de 60, quase 70 anos; era gorda e na sacola carregava alguns livros e um vestido, recém-comprados. Desta vez, nenhuma inscrição nas paredes. O assassino parecia ter fugido às pressas. Teria ouvido a aproximação da dupla?

— Nada em comum com as outras vítimas. Por quê? Por que matar uma velha com golpes de foice, decapitá-la e colocar sua cabeça em uma sacola? Que animal faria isso?

— O animal que já cansamos de encontrar, Matt.

— Animal! Seu animal! Você precisa pagar por isso! — babava o velho Joshua.

George sequer tinha forças para se encolher. As pancadas iam e vinham. Rotina. Seu corpo era um enorme calo.

— Já lhe disse centenas, milhares de vezes que o leite precisa ser carregado com cuidado.

— Eu estava vindo devagar, senhor.

— Não responda ao seu pai, aberração! Você derramou metade do latão no chão!

George suportou os dez minutos de chicotadas e pancadas sem chorar. No dia seguinte, um novo susto. Seu pai havia instalado em seu quarto um imenso alto-falante, que o acordaria todo dia às quatro e meia da manhã, ao som do hino nacional americano.

Enquanto Matt e Natasha chamavam Tork, no outro lado da cidade, na Cozinha do Inferno, um grupo de quarenta homens saía do interior de um galpão. Trajavam hábitos vermelhos e caminharam em silêncio durante um quarteirão. Quando se aproximavam de uma região mais habitada do bairro, o que parecia ser o líder parou e disse:

— É agora, irmãos. Lembrem-se do que eu lhes disse. Esta é apenas nossa primeira noite. Nossos atos devem perdurar e para isso não podemos ser capturados. Ajam e corram de volta para o Red Papa.

Depois dessas palavras, os homens se separaram em diversos grupos, correndo e uivando em diferentes direções. A Cozinha do Inferno estava tomada por loucos.

— Policiais assassinados com barras de ferro na Cozinha do Inferno. Mais notícias no jornal das dez.

— Dono de quitanda é torturado por fanáticos na Cozinha do Inferno. Mais informações a qualquer momento.

— Ataques-relâmpago fazem 29 vítimas fatais na Cozinha do Inferno. Mais informações com o repórter Edward Gwydion.

Alheio à confusão, Matt viaja pelos telhados do Brooklyn com Natasha, após a conversa com Tork.

— Aposentada, viúva, 72 anos. Nada em comum com as outras mortes. O que você acha, Natasha?

— Acho que ganhamos de presente um psicopata irracional. Bom, isso acabou comigo. Acho que estou a cada dia mais Viúva e menos Negra. Vou para a minha casa, estamos perto. Preciso tomar uma ducha. Quer jantar comigo?

— Adoraria, Natasha, mas fica para uma outra vez.

Ao chegar à Cozinha do Inferno, Matt acha estranho que todas as lojas estejam fechadas. É quando ele ouve alguém chamando seu nome:

— Demolidor! Ei, demônio!

Ele desce até a calçada e encontra Joey e os outros quatro skatistas que já o haviam ajudado anteriormente.

— Demolidor, tem alguma coisa errada.

— O que houve, Joey?

— Cara, tá sinistro. Você não tem ouvido esses trecos de noite?

— Que "trecos"?

— O monstro. Ele fica rindo, gargalhando e rosnando. Mas parece que ninguém escuta, só algumas pessoas. Eu, o Martin e Fatboy escutamos, mas a Katrina nunca ouviu nada. Tá todo mundo com medo de sair de casa. A gente só anda de skate agora aqui na praça. É sem graça, mas é iluminado e sempre tem gente.

Katrina interrompeu:

— É, cara. Skate or die, mas não é pra levar ao pé da letra.

Um barulho estranho acordou George e ele quase agradeceu ao que quer que tenha lhe tirado daquele pesadelo. Fitou o teto no quarto escuro por um tempo. O velho Joshua entrou no cômodo, fedendo a bourbon barato. Ele parecia ter passado a noite bebendo e chorando.

— Levante-se! Levante-se! — berrou.

Joshua arrastou George pelos braços até o lado de fora da casa. Depois, conduziu-o até uma das laterais da construção. Lá estava uma imensa roda de metal, com algumas algemas em suas bordas. George há muito tempo não tinha mais forças para reagir, chorar ou implorar. Ele fazia o que seu pai lhe mandava.

Pendurado nu, com os braços e pernas algemados, ele sentia o metal frio às suas costas. O velho Joshua começou a empurrar a roda de metal na direção do celeiro. George ia rodando, ora de cabeça para baixo, ora de lado. Ao chegar no celeiro, Joshua expulsou o jumento que dormia em seu interior e levou a roda e George para dentro. Lá, apoiou a roda sobre uma parede, com George de cabeça para baixo.

— A partir de hoje, é aqui que você vai viver pelos próximos seis meses. — disse o velho, antes de apagar as luzes do celeiro e ligar o aparelho fonográfico.

Durante seis meses, a vida de George era composta de algemas, frio, metal gelado e o Star Spangled Banner.

Da
Red
Evil

Era difícil escrever na parede. O sangue escorria, deformando as letras. Por isso, era preciso esperar que ele coagulasse um pouco. Com esse aí, seria ainda mais difícil. Muito pequeno. Suas tripas quase não dão para pendurá-lo na parede de cabeça para baixo. Mas com esforço, tudo se resolve. Pronto. Ficou bonito.

— Martin Lubenski, nove anos, é a nova vítima do assassino serial. O menino, que morava na Cozinha do Inferno e pertencia a um popular grupo de skatistas da região, foi encontrado pela polícia esta manhã, pendurado em um beco do Brooklyn. Tudo indica que ele foi raptado pelo assassino, que o levou para o Brooklyn em busca de um local mais isolado. Com seu sangue, foram escritas as palavras Da Red Evil e as vísceras da criança...

clic

Matt Murdock encarava a TV com ódio. Ficou parado de pé na sala de seu apartamento durante longos minutos, incapaz de se decidir se quebrava tudo, chorava ou saía a caça do primeiro criminoso cretino para espancar. Naquela manhã, ele decidiu que este caso se encerraria logo, de uma forma ou de outra.

"De hoje não passa, Red Evil. Pode ter certeza, seu animal. OK, vamos ver o que você tem a me dizer, senhor Fisk".

O relógio bateu sete vezes.

:: Notas do Autor

Esta aventura se passa pouco antes da abdução da Viúva Negra em Vingadores # 02.



 
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