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Mulher-Maravilha # 04

Por JB Uchôa

Uma Nova Aurora

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Em meio a lençóis macios e uma brisa suave que adentra seus aposentos, a princesa de Themiscyra — mais conhecida como Mulher-Maravilha — dorme. Um sono profundo, estranhamente alheio aos acontecimentos do dia anterior. A ida ao Olimpo, a ameaça de Ares... e a possibilidade de ser mãe? Mesmo assim, a princesa dorme tranqüilamente. Em seus sonhos, ela voa por céus que não reconhece, planando com leveza entre as nuvens. Seus pensamentos estão alheios a tudo. Sua mente não dá importância à rota que está seguindo ou às nuvens, que de alvas como a mais pura lã de existe em Themiscyra tornam-se negras, anunciando uma tempestade.

O sono torna-se mais conturbado. A princesa amazona se retorce entre os lençóis, fica ofegante, e nem mesmo a suave brisa arrefece o calor agora. Perdida em meio à tempestade, Diana luta para se manter no ar. Ela agora duvida se tem consciência de que está sonhando. Estaria o deus da guerra brincando com sua psique? Em meio à tempestade, um redemoinho oculta o vulto de um homem alto e forte. "Minha chance para escapar", ela pensa, e em seu inconsciente procura o conforto naqueles braços que parecem comandar a tempestade. Os ventos são fortes demais, ela mal consegue se manter no ar, quanto mais voar de encontro ao estranho... A Mulher-Maravilha choca-se com o tórax do desconhecido, Que a acolhe com seus braços e um sorriso. Ouve-se o som de um forte trovão e Diana acorda.

— Princesa! Diana... — Philippus corre ao encontro da campeã das amazonas, mais aflita do que uma capitã da guarda poderia parecer.

— Philippus, acalme-se! O que está havendo?

— Veja com seus próprios olhos princesa. — ela responde, com terror estampado no rosto.

Só o fato de ver Philippus com medo desperta o temor na Mulher-Maravilha. Philippus não é a capitã da guarda de Themiscyra à toa. Ela conquistou esse direito junto à rainha Hipólita e aos deuses por sua coragem, bravura e poder de comando. Do lado de fora do palácio nada acontece. As amazonas armam-se e assumem uma linha de defesa. Arqueiras, lanceiras e as guerreiras munidas de espadas estão prontas para o ataque. No horizonte uma estátua gigantesca de Ares parece destruir tudo ao seu caminho.

— Amazonas! Preparar! — Philippus incita as irmãs a conterem a ameaça.

— Filha, Ares irá destruir tudo.

— Não mesmo, mãe. Não enquanto a Mulher-Maravilha proteger a Ilha Paraíso. De que parte do Hades surgiu esse monstro?

— Daqui mesmo, filha. Hoje pela manhã, fui levar o artefato ao oráculo escondido de Ares para honrar o pacto de sua tia Antíopa.

— Mãe... como pôde?

— Eu sou uma rainha, Diana. Tenho uma responsabilidade para com as amazonas... e sou sua mãe! Filha... Como poderia dormir tranqüila se soubesse que você se entregaria ao vil deus da guerra para proteger-me? A estátua cresceu, ficou imóvel uns momentos, depois começou a andar rumo a Themiscyra. Ela destruirá tudo. — Hipólita carrega a dor de todas as suas irmãs e tem o peso da coroa sobre sua cabeça, pois sabe que suas decisões irão repercutir sobre todas as amazonas.

— Mãe... Philippus, retirem todas as amazonas para a costa leste, próxima à Ilha da cura. Eu vou deter a fúria insana de Ares.

— Nós lutaremos, princesa! Somos amazonas! — Aella sempre foi uma irmã de valor. Não tem medo da morte, mas sim do jeito que se morre.

— Pois bem, Aella, assim seja. Philippus, cubra os fundos da cidade. Helena, Penélope, conduzam Menalippe ao oráculo e a protejam! Mãe...

— Eu lutarei, Diana! Philippus, minha espada!

— Por Gaia! Pela glória de Themiscyra!

Ao som do brado de mil valorosas mulheres, a Mulher-Maravilha voa rumo à clareira de onde a dantesca imagem do deus da guerra caminha inexoravelmente rumo ao coração da Ilha Paraíso. Embora munida de sua espada, a Mulher-Maravilha pouco pode fazer contra a estátua conduzida pela mão do deus Ares.

— Philippus, olhe! — Mala aponta para os doze cães de guerra de Ares que correm de encontro às guerreiras amazonas.

— Assumir posições! — grita Philippus, com imponência. -Nenhum cão do maldito Ares irá tombar uma amazona.

A cena que ocorre depois poderia ser indescritível. Enquanto a Mulher-Maravilha combate a pesada estátua, tentando deter seu avanço ou mesmo destruí-la, Philippus, Mnemósine, Hipólita e centenas de guerreiras amazonas combatem a horda de cães de guerra de Ares. Seria fácil, se os cães não medissem três metros de altura e seus caninos não fossem afiados como diamantes. Suas peles parecem um encouraçado negro não só resistente, mas virtualmente indestrutível. A única fraqueza é um ponto na jugular, que precisa ser penetrada com precisão cirúrgica e mede apenas oito centímetros. Oito centímetros são mais do que mede o fio da espada de Hipólita, e é em meio à batalha que ela prova porque é a Rainha das Amazonas.

Enquanto as amazonas têm êxitos contra os cães negros, Diana não tem a mesma sorte. A estátua parece dotada de vida e consciência próprias, e cada pedaço de mármore que quebra se regenera. A cada murro que leva, a princesa voa longe e quase perde a consciência.

— Philippus... Diana não resistirá muito tempo. — O terror de ver sua filha perecer uma vez mais fragiliza Hipólita. — Dessa vez os deuses não a trarão de volta, já que ela renegou a divindade.

— Calma, minha rainha, Diana é a Mulher-Maravilha... só ela pode deter essa ameaça.

— Cubra-me, Philippus!

Hipólita não larga a espada nem tampouco o escudo, mas passa a correr rumo ao palácio, enquanto Philippus fura a jugular de mais um cão de Ares. Ao chegar, vai até o salão de armas e pega um presente que recebeu das mãos de Atena. Faz uma prece para que seja a hora certa de usá-lo, e volta ao campo de batalha.

— Diana! Diana! — Combatendo a horda de cães, Hipólita vai abrindo caminho até onde está sua amada filha, correndo todos os riscos de morte e enfrentando-os como qualquer mãe faria para proteger seu rebento. Atingida mais uma vez, a Mulher-Maravilha vai ao chão.

— Filha... levante-se!

— Mãe, não sei se poderei conter tamanha ameaça. Não devia ter desafiado Ares. Fui tola, coloquei em risco todas as minhas irmãs.

— Confio em suas decisões, minha filha. Você nunca deu uma passada mais larga do que suas pernas. Juntas, nós salvaremos a Ilha Paraíso.

Hipólita entrega o chakran de uma antiga amazona. Uma amazona que conquistou seu direito de usar esse nome, assim como Diana. Ela também renegou a divindade oferecida por Zeus e seguiu com Caronte até o Hades, onde foi julgada pelo deus dos Infernos e ascendeu aos Campos Elíseos.

— Conta a lenda que este chakran ele possui o equilíbrio do bem e do mal e é a única arma capaz de matar um deus. Em sua infinita sabedoria, Atena me pediu para guardá-lo até a hora em que eu me visse obrigada a usá-lo. Ela sabia que se o chakran estivesse solto pelo mundo, Ares o tomaria e conseguiria tomar o trono do Olimpo. Use-o.

A Mulher-Maravilha segura o disco de ouro e prata na mão, fita o horizonte, estende o braço para trás e o lança com um grito. O poderoso chakran sibila de encontro à estátua, atingindo-a e trespassando-a várias vezes. Por fim, retorna à mão de Diana e a imensa imagem de Ares desmorona a apenas sete metros de Themiscyra.

— Incrível! — Diana fica fascinada com a precisão e corte do chakran, da sua dança no céu e de como retornou à sua mão. Subitamente, o firmamento se abre em luz. As amazonas assumem posição de defesa e os deuses descem à Ilha Paraíso. Quando os sagrados pés do onipotente Zeus tocam o chão, toda a natureza que havia morrido durante a batalha floresce novamente. Todas as amazonas ajoelham-se perante o Todo-Poderoso, menos Diana e Hipólita.

— Estou admirado, princesa. Fazes mesmo jus à alcunha que te deram na Terra... Mulher-Maravilha!

— Poderoso Zeus, com todo respeito... mas não entendo o porque de vossa presença.

— Ora, criança, convenci meu pai de que vocês precisariam passar por um teste, antes de ter a difícil tarefa de levar-nos à Terra.

A Mulher-Maravilha morde os lábios perante o cinismo de Ares. Ela pensa que poderia contar aos deuses das ameaças da noite anterior, mas como o próprio Zeus disse, suas ações falarão mais do que suas palavras. O Laço da Verdade é retirado cuidadosamente da cintura da princesa, e com uma velocidade incrível envolve o poderoso deus da guerra.

— Então, Ares... gostaria de repetir o motivo desse ataque?

As amazonas se calam. O casal real torce o nariz com a ousadia da Mulher-Maravilha. Entretanto, Ares começa a revelar toda a verdade sobre o pacto desonroso que ele impôs às amazonas. Com um sorriso nos lábios, as cinco deusas responsáveis pelo surgimento das amazonas orgulham-se de sua filha.

— Princesa Diana. — Deméter se dirige amorosamente à corajosa princesa. — Hoje queremos abençoá-la novamente. — A generosa deusa da agricultura levanta os braços buscando força e serenidade, como no dia em que ela e suas irmãs foram ao útero de Gaia abençoar a pequena alma não nascida. — Eu, Deméter, concedo-lhe a força da Terra!

— Eu, Afrodite, lhe dou grande beleza!

— Eu, Atena, oferto-lhe sabedoria!

— Eu, Ártemis, cedo-lhe a comunhão com os animais!

— Eu, Héstia, lhe proporciono o dom da fraternidade!

— Eu, Hermes, lhe garanto o poder do vôo!


— Festejem, amazonas! A punição devida de Ares será ponderada pelo Poderoso Zeus! Mas, no momento, aguardamos sua bela princesa Diana para nos conduzir ao mundo do patriarcado.

Os deuses parecem felizes, menos Ares, que não gostou da humilhação sofrida perante seus pares. Enquanto a Mulher-Maravilha voa de encontro aos deuses, sua mãe e irmãs erguem os braços e cruzam os braceletes como um aceno, lembrando o orgulho de serem amazonas.

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