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Birds of Prey # 17

Por Igor Appolinário

Um Caso do Passado — Parte III
Guerra Armada

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Torre do Relógio — Gotham City

— Então, vão continuar a história ou não? — diz Cassandra, impaciente. Dinah volta da cozinha carregando mais uma bacia de pipoca.

— Calma, garota! É bem mais difícil do que eu imaginei fazer pipoca sem um microondas. (*)

— Bem. — continua Babs — Como eu estava contando...

Alguns anos atrás — arsenal da base militar de Tchita — Rússia

— Canário Negro! Canário Negro! Está me ouvindo?!

— Alto e claro, Oráculo. Aliás, alto demais.

— O que aconteceu? Eu ouvi uma explosão... (**)

— Foi nossa inimiga misteriosa. Ela se autodenomina "Garra Vermelha". Parece que já sabemos quem comanda as peças do jogo.

— Sim, mas temos que descobrir mais sobre essa mulher. Entrarei em contato assim que souber alguma coisa. Enquanto isso, vá atrás dela. Oráculo desligando.

— Claro, como se essa fosse a parte fácil. — diz Canário, olhando a destruição em volta e procurando uma saída.

— Ei! Se você já terminou de falar com seu amigo invisível, pode dar uma ajudinha aqui?

Canário corre para o meio de uma pilha de escombros e entre eles encontra o agente Phillip Lecroix, forçando uma abertura na lateral do arsenal.

— Acho que podemos passar por aqui, mas está emperrado!

— Eu posso dar um jeito nisso. — diz Canário, procurando algo nos bolsos do uniforme.

— Você disse que se chama Canário Negro, certo? — diz Lecroix olhando misterioso para ela — Eu pensei que você usasse um maiô de couro e meias-arrastão...

— Olha, — diz Canário, corando e com algo envolto na mão enluvada — vamos apenas dizer que era uma época de gosto duvidoso. Agora saia do caminho.

Canário joga o pequeno objeto numa abertura da parede e se afasta com Lecroix. Uma pequena explosão desloca os escombros, dando passagem aos cativos.

— Certo, agora vamos atrás da "Vadia Vermelha"!

Em algum lugar na cadeia Hentyin — entre Rússia e Mongólia

Dois grandes caminhões carregados de arsenal militar e um jipe percorrem uma estrada em meio a um deserto. Em uma bifurcação do caminho, os caminhões seguem por uma via e o jipe parte para o outro lado. Garra Vermelha, que pilota o jipe, entra em contato com seu parceiro Natsag, em um dos caminhões.

— Natsag, continue até a nossa base e aguarde meu comando. Em algumas horas eu estarei no local planejado e o exército russo não poderá fazer nada para nos impedir.

— OK, entendido, Garra.

Em Tchita, Dinah e Lecroix chegam ao estacionamento da base e encontram alguns jipes parados.

— Certo, nós vamos fazer o seguinte. — começa Lecroix — Os caminhões são nossa prioridade. Eles estão supercarregados e rodando muito devagar, portanto podemos alcançá-los, mas a tal Garra Vermelha está sozinha em um jipe, não temos como saber para onde ela vai.

— Você vai atrás dos caminhões e eu vou atrás da Garra.

— Canário Negro, aqui é Oráculo. Consegui algumas informações sobre Garra Vermelha. Fontes muito secretas me informaram que Garra é uma conhecida contrabandista da Mongólia. Dizem que ela tem influencia em altas esferas da sociedade e do meio político. Um de seus endereços conhecidos fica na capital da Mongólia, provavelmente seu paradeiro atual...

— Obrigada, Oráculo. Nós alcançamos os caminhões logo depois de uma bifurcação. Garra deve ter seguido pela outra estrada. Eu vou atrás dela.

Canário e Lecroix dirigem lado a lado na estrada, poucos metros atrás dos caminhões. Dinah faz um sinal para o agente e dá um cavalo-de-pau na via empoeirada, seguindo na outra direção. Ela chega na bifurcação e pega a mesma estrada tomada por Garra Vermelha, seguindo a toda velocidade.

Alguns quilômetros a frente, Canário encontra Garra dirigindo calmamente. Ela fecha seu jipe, fazendo-a cair em uma grande vala na lateral da estrada. A vigilante pára e desce até onde está o outro carro.

Garra Vermelha salta do jipe quebrado e parte para cima de Canário Negro. As duas rolam na areia do deserto, engalfinhadas. Garra vermelha tenta estrangular Dinah, mas a vigilante acerta alguns golpes bem dados, tirando-a de perto. Dinah começa uma seqüência rápida de golpes, deixando Garra desnorteada. A contrabandista vai ao chão, levantando uma nuvem de poeira. Canário Negro se aproxima para levantá-la, mas Garra é rápida e lança um punhado de areia contra os olhos de Dinah. Aproveitando a distração, a contrabandista joga Dinah na vala e foge com o jipe da vigilante.

Dinah se levanta na areia da vala e vê seu jipe partindo rumo ao horizonte. O sol a pino faz seus olhos arderem.

Um jipe corre velozmente pelas ruas de Ulan Bator, capital da Mongólia, e se aproxima do palácio do governo. Garra Vermelha pula para fora dele e sobe imponentemente as escadarias do prédio. Guardas tentam impedí-la, mas ela mostra um pequeno papel e consegue acesso. Sem obstáculos, Garra chega até o gabinete e encara uma secretária atônita.

— Diga ao presidente e ao primeiro-ministro que Ivana Pagamaldin está aqui e exige ser atendida.

Arredores de Bayandzurh — Mongólia

Lecroix segue à distância uma grande fileira de carros e um grande caminhão coberto que se aproximam da pequena cidade de Bayandzurh. Os carros percorrem as ruas, atraindo a atenção de todos os habitantes, distraindo os soldados da perseguição de Phillip.

— Onde vocês estão indo? — se questiona Lecroix, vendo os caminhões entrando em um grande galpão.

O agente pára seu jipe atrás de uma pequena casa e vai até o esconderijo dos homens de Garra Vermelha. Por uma escada lateral, ele chega ao topo do prédio e consegue observar, por uma clarabóia, o que os homens fazem lá dentro.

Natsag coordena um grupo de homens que retira uma das bombas nucleares do caminhão. Com muito cuidado e técnica, eles abrem a bomba escolhida e retiram de dentro dela parte do material radioativo e dos poderosos explosivos.

Lecroix olha aterrorizado para a operação. Ele destrava a clarabóia e invade o prédio. Sente que precisa impedir o plano daqueles malucos.

Ulan Bator — capital da Mongólia

— Isso é um ultraje! Eu sou a maior autoridade desta terra e você não pode falar assim comigo!

— Você sabe exatamente quem eu sou, senhor presidente.

— Você não pode mandar em mim, senhorita Pagamaldin. Mesmo sendo a comerciante mais importante desse país, eu ainda sou o presidente.

Ivana Pagamaldin, mais conhecida como Garra Vermelha, continua impassivelmente sentada na cabeceira oposta da mesa, com seus oponentes logo a frente: o presidente e o primeiro-ministro da Mongólia.

— Presidente, o senhor sabe do poder que eu amealhei em todos estes anos. Eu só quero o que é meu, o que me pertence por direito...

— Você é louca! — grita o primeiro-ministro, indignado — Você quer que entreguemos nosso país nas mãos de uma criminosa?!

— Exatamente, primeiro-ministro, e acho que vocês não tem muita escolha.

— Nunca!

— Pois bem, talvez uma amostra do meu poder faça vocês mudarem de idéia.

Ivana pega um pequeno comunicador e o aciona.

Bayandzurh

— ...pode ativar o plano 2. Eles querem ver o que eu posso fazer.

Os capangas armam a bomba em um lançador e Natsag desliga o comunicador. Ele corre até um dos carros e pega a maleta. De dentro dela, tira um dos cartões eletrônicos e conecta na bomba. Lecroix surge por uma porta lateral.

— Vocês estão presos! — Lecroix começa a derrubar os capangas, tentando abrir caminho até Natsag. O agente bate e atira nos soldados mais próximos e corre atrás do líder, que escapa por uma porta lateral.

Natsag chega ao topo do galpão com Lecroix em seu encalço. O criminoso tenta atirar no agente americano, mas Phillip é mais rápido e desarma o vilão com um chute. Ele aponta sua própria arma para Natsag.

— Parado! Você está preso!

— Agora não importa mais, porco americano. Garra levará a Milícia Vermelha a um patamar nunca imaginado!

Natsag se lança sobre Lecroix. O agente tenta disparar, mas sua arma está descarregada. Em um movimento rápido ele tira o corpo do caminho e Natsag caí do galpão. Lecroix corre até a saída, indo até o térreo, atrás do corpo do bandido.

— Ivana! — diz Natsag no comunicador, caído no asfalto com um filete de sangue saindo da boca — A bomba está pronta.

Lecroix chega ao térreo, checa o pulso de Natsag e vê que o criminoso está morto.

— ...está pronta.

Ivana pressiona um pequeno botão em um controle remoto. Em Bayandzurh, a bomba modificada pelos capangas é acionada e dispara aos céus. Após cruzar quilômetros ela cai na cidade de Onjin, fazendo-a desaparecer do mapa com uma explosão tenebrosa.

No gabinete do presidente, ele e o primeiro-ministro olham estupefatos informes televisivos sobre a catástrofe. Ivana estende um documento e uma caneta para os dois.

— Vocês já reconsideraram sua decisão? — diz Garra, com um sorriso no rosto.


:: Notas do Autor

(*) Confira em Birds of Prey # 15. voltar ao texto

(**) Confira na edição anterior. voltar ao texto




 
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