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Shanna # 05

Por Carolina 'Huntresscarol' Bastos

Sangue, Raça e Amor

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Voltando ao acampamento...

Elsa quase faltou arrancar os cabelos de ódio.

— Você tem certeza disso?

— Tenho, doutora. A gente procurou aqueles dois a noite inteira, conforme a senhora mandou, mas só fomos achar eles lá naquela cachoeira a uns três quilômetros daqui. Estavam do jeito que vieram ao mundo.

— Ai, Senhor... era tudo que eu não queria que acontecesse, merda!

Ela bem que sabia! Sabia que tinha que ter acabado com aquilo no começo! Mas não! Ela imaginou que Shanna trataria Max, como tratava quase todos os homens dali (com Colombo, ela tinha amizade por que ele era respeitoso com ela). Como fora estúpida!

Os homens também se alvoroçaram. Mas não pelo mesmo motivo que ela, é óbvio.

— A Doutora tem razão! A gente tá aqui há meses, seco de vontade de traçar aquela loira e o judeuzinho chega e leva o prêmio de primeiro? Pombas, isso não é justo!

— O quê que é não justo? – Colombo começava a se irritar com aquela conversa, que caminhava para um rumo perigoso. — A Shanna escolher com quem ela quer ficar? Ela não tem esse direito?

— Lá vem você de novo, Colombo! – Resmungou Murph. — Sempre fingindo que é santo, que se segura, que sabe se controlar e o escambau! Mas aposto que você tá tão desesperado quanto nós!

— Eu também sou tão homem quanto vocês, droga! – Gritou Colombo, sentindo necessidade de se defender. — Eu também tenho meus desejos! Acham que não eu sonho com ela todas as noites? Acham que eu não tenho desejo por ela? É claro que tenho! Mas só faria isso se ela também me quisesse! Mas ela não me quis e eu tenho que me conformar com isso!

— Você pode até se conformar, mas eu não me conformo!

— E nem eu!

O alvoroço aumentou. Colombo teve de gritar, pra se fazer ouvir.

— Olhem aqui... escutem, merda! A gente é carta fora do baralho, agora e vai ter que aceitar isso quer queira, quer não! Ou vocês são tão machos assim, que estão dispostos a estuprá-la pra se satisfazerem?

— Bem, já chega! – Gritou Elsa.— Eu e vocês, mesmo que por motivos diferentes, temos um inimigo em comum que precisamos eliminar. Eu não quero o judeu aqui, por motivos que não preciso explicitar e vocês muito menos. Então, o quê vocês sugerem?

— A gente acaba com ele!

— É!

— Vamos torrar o judeu numa fogueira!

— Que tal enforcar ele antes?

— Boa!

— O maldito vai ter o que merece!

Colombo ficou assustado. Aquelas pessoas, movidas tanto pelo ódio racista (no caso de Elsa), quanto pela cobiça insana por uma mulher que não podiam ter (no caso dos homens), estavam a ponto de matar um inocente! Um homem que não lhes fizera mal algum!

Aproveitando que ninguém estava prestando atenção nele, empenhados como estavam em construir uma forca para matarem Max, Colombo saiu á procura de Shanna. Precisava o quanto antes alertar a ela e Max do perigo que este estava correndo...

Enquanto isso, sem desconfiarem de nada do que estava acontecendo, os dois se banhavam juntos no lago. Aqueles momentos eram tão mágicos, tão felizes, que Shanna temia que não passassem de um sonho bom.

— Acho que está na hora da gente voltar pro acampamento, gata... Se a gente demorar mais pode dar galho...

— Por que voltar? Está tão bom aqui...

— É mesmo, né? Deixe aquele bando de manés esperar o quanto quiser... Você é minha e só minha...

— Sou mesmo... E eu gosto dessa sensação... Dessa sensação de realmente pertencer a alguém...

— Eu gosto dessa sensação... De amar você!

— Shanna!— Ouviu-se alguém chamar! — Shanna!

— Ih, que saco! Já acharam a gente! Quem será o mala, hein?

— Pela voz é o Colombo. Ele é de paz!

Shanna vestiu-se foi até ele.

— Ai, graças aos céus eu te achei, loira...

— Você tá botando os bofes pra fora... Por que correu tanto? Aconteceu alguma coisa?

— Ainda não, mas está prestes a acontecer... Se você não esconder o seu namorado...depressa...

— Como assim?

Colombo contou tudo. Os olhos de Shanna se avermelharam de fúria.

— Quem aqueles malditos pensam que são? — Nessa ela rilhou os dentes de ódio. — Meus donos?

Ela apertou um de seus facões com força. Sentia que precisaria deles.

— Eu vou lá. Max, você fica aqui.

— Mas, meu amor...

— Não! Isso eu tenho que resolver sozinha!

O coração de Colombo bateu forte. Sentiu que tinha acendido o pavio de uma bomba.

— Eu vou com ela.

— Eu também. – Murmurou Max – Ela é uma mulher muito especial pra mim... Eu a amo.

— Morro de inveja de você...

— Vamos logo!

— Sim, sim, claro!

Enquanto isso, correndo como uma fera liberta da jaula, Shanna foi pro acampamento. Pela primeira vez estava se sentindo realmente feliz e não estava disposta a permitir que nada e nem ninguém destruísse isso.

Ao chegar, viu os homens rindo e zombando de Max, ao passo que construíam a forca com que pretendiam enforcá-lo. O sangue subiu-lhe pelas têmporas!

— O que estão fazendo?– Gritou ela.

Os homens ficaram momentaneamente paralisados. Jamais imaginaram ver Shanna ali, principalmente naquela hora.

Esse é o caso de pessoas que agem movidas apenas pela raiva, pelo racismo ou mesmo pelo simples rancor: Não raciocinam, não pensam, não imaginam outras possibilidades além daquelas que desejam imaginar. São como burros, atrelados á carroças: só podem ir na direção que seus donos, ou seja, sua ignorância e burrice, lhes permitem ir.

— É...é...é...

— Eu perguntei o que estão fazendo!

Os homens estavam completamente apavorados. Nenhum deles se atrevia a responder para quem seria a forca que estavam preparando, ainda mais que Shanna estava com seus dois facões nas mãos.

Vendo que nenhum deles responderia, Shanna derrubou a forca com um chute. Esta foi ao chão, derrubando uma parte da cerca do acampamento.

— Vocês são mesmo um bando de bananas! Pretendiam matar Max, é?

Os homens se entreolharam. Como ela ficou sabendo disso?

— É a primeira vez que estou feliz e nenhum de vocês vai tirar isso de mim! Ouviram bem? Nenhum!

— Shanna! – Elsa interrompeu-a. — Os homens só estão fazendo isso pro seu bem!

Shanna olhou-a chocada. Não podia acreditar no que estava ouvindo.

— Você não pode se unir a um judeu! Judeus são uma raça inferior que tem que ser exterminada! São a nossa maior desgraça! São piores que piolhos!

Os olhos de Shanna ficaram vermelhos de ódio e fúria. Sem conseguir se controlar, ela deu um empurrão em Elsa, jogando-a no chão.

— Cala a boca!

— Shanna, me escute...

— eu não tenho que ouvir nada de você!!!!!

— Você tem que me ouvir sim, porque eu sou sua mãe!

Elsa se apavorou com as próprias palavras, parecendo que não era assim que pretendia que a verdade fosse revelada, mas o caldo já tinha entornado.

— Minha... mãe???? Você é minha mãe? Mas como?

— Sim. Eu doei os óvulos que deram origem a você e a seus irmãos e irmãs. Mas, no seu caso especifico, você foi gerada em meu ventre e apenas após nascer, você foi para a cuba vital. Talvez por isso, você, diferente dos outros, tenha conseguido sobreviver...

A cabeça de Shanna doía. Como Elsa, sendo sua mãe, tinha podido permitir isso? Como? Por mais que pensasse, não encontrava uma explicação lógica.

Enquanto isso, Elsa continuava sua arenga.

— Você, minha filha, foi gerada para ser o ser humano perfeito. Como ELE queria que fosse! É uma ariana nórdica pura, é forte, é inteligente, tem a genética perfeita e o potencial para gerar uma raça superior a todas do mundo! E não pode estragar toda essa maravilha genética se unindo a um judeu, um ser inferior!

— Mas... E o amor? Eu amo Max...

— Amor! Amor nada tem que ver com isso! Sua vida deve ser dedicada á um imperativo maior, que é a salvação genética e biológica da humanidade! Nós, eu e você, podemos provar que só a eugenia tem valor e que só os valores eugênicos devem imperar, se quer salvar a humanidade dessas raças inferiores e imundas, tal como os judeus!

— Cale-se! Você não tem o direito de falar assim!

— Shanna!

Era Max, que chegava junto com Colombo. Ele ouvira tudo.

— Max? – O coração de Shanna bateu forte.

— Ah, você está aí, judeu?— Ironizou Elsa.— Que bom! Facilita pra gente! Podem pegar ele!

— Não! – gritou shanna – Se alguém chegar perto dele, vai sair daqui com a cabeça debaixo dos ombros!!!!

Os homens, que já corriam para pegar Max, recuaram ao ver Shanna apontando os dois facões para eles. No fundo, não passavam de covardes.

— Olha, é o Colombo! – Gritou alguém.

— Aposto que foi ele que foi contar para a loira o que a gente estava fazendo!

— Fui eu, sim! – Admitiu. — Fiz isso porque é um absurdo isso que vocês estão fazendo! Pensem, usem a cabeça, amigos!

— Nós não somos amigos de um cagüeta dedo-duro! – gritou um homem, apoiado pelos outros atrás dele.

E esse mesmo homem, acabando de dizer isso, sacou seu revólver e atirou em Colombo. Foi tudo tão repentino, que até Shanna ficou sem ação.

Mas essa atitude durou só um segundo. Porque louca de fúria e com os olhos cheios dágua, Shanna foi para cima do homem que atirara em Colombo, acertando-lhe um soco que o deixou fora de combate em segundos, com o maxilar quebrado.

— E aí? Alguém mais vai querer?

Os homens recuaram mais. Nenhum deles ousava enfrentar Shanna quando ela estava no auge de sua fúria. Ninguém era louco de fazer isso. Seria suicídio.

— Vocês ficaram loucos, é? – berrou ela.— O que deu em vocês?

— É tudo culpa dele! – Disse Elsa.— Se ele não tivesse aparecido aqui, nada disso teria acontecido!

— Por que a culpa é minha, Dra. Elsa? – Max já estava por aqui com aquela mulherzinha.— Será que é porque eu sou judeu e a nazista aqui não tolera gente como eu? Ou estou errado e a senhora, doutora, não cultua Hitler e aqueles assassinos dele?

Shanna ficou pasma. De repente, tudo começava a fazer sentido em sua cabeça.

— Vocês, judeus, são uma praga! Devíamos ter acabado com a sua raça maldita quando tivemos chance!

— Olha aqui, não estamos na sua querida Alemanha nazista, aqui não tem Hitler e nem a Gestapo e a SS pra lhe ajudar e nem eu lhe devo respeito algum, sua nazista dos infernos! Então, toma!

Max deu um soco em Elsa, jogando-a no chão. Dali, disparou a dar-lhe chutes e mais chutes, até deixá-la toda roxa.

Elsa gritava de dor. Shanna apenas olhava, sem esboçar nenhuma reação.

— Shanna, me ajude!

E Shanna "nem te ligo".

— Shanna, você é minha filha! Ajude-me!

Com essa, Shanna apenas deu as costas, murmurando:

— Quando você deixou que fizessem experiências comigo e depois me encerrou naquela cuba vital, me fazendo crescer presa lá dentro, você lembrou que era minha mãe?

Max a seguiu. Os dois foram caminhando até Colombo, que mesmo baleado, ainda vivia.

— Esse pobre homem está pra morrer... – Murmurou Max, comovido.

— Sim... Ele era um bom amigo. Não merecia isso...

— Ninguém merece.

— Agora que sabe de tudo... Aposto que me despreza.

— Sobre isso falaremos mais tarde. Mas saiba que o sinto por você, nunca vai mudar. Você é a minha Ayla e é tudo que eu desejo numa mulher. Eu te amo e isso não passar. Nunca. Estamos entendidos quanto a isso?

— Sim. Eu também te amo. Você é um bom homem e...

Um rugido se fez ouvir ao longe.

— Tem um animal vindo pra cá! – Exclamou Shanna.— E é dos grandes! Todo mundo se esconda!

Não deu tempo. Um carcharodontossauro apareceu de repente no acampamento, seus rugidos fazendo gelar o sangue de todos ali. Media em torno de quatorze metros de comprimento e pesava cerca de oito toneladas. Seu nome foi inspirado no nome científico de outro grande predador, o tubarão branco (Carcharodon Carcharias). Tinha dentes espetaculares, com quinze centímetros cada. Era tão feroz e perigoso, que botava pra correr até o poderoso Tiranossauro Rex.

Mas não Shanna.

Ela preparou os facões. Também se preparou para aquela que poderia ser a ultima luta de sua vida.

Shanna encarou o monstro. Ele a encarou de volta, não entendendo como aquela criatura tão menor que ele, podia ser tão estúpida de ficar ali, bem ao alcance de sua bocarra cheia de dentes.

E depois de encará-la por alguns instantes, veio o ataque. Intenso. Devastador.

Só que o ataque não foi do monstro, mas de Shanna.

Porque antes mesmo que ele tentasse mordê-la, Shanna usou o princípio de "abale a base, que o de cima cai", dando-lhe uma rasteira que o levou ao chão com um estrondo.

Com a queda, o animal ficou tonto. Aproveitando-se disso, Shanna deu-lhe um soco que o tonteou ainda mais e abraçando com força o pescoço do dinossauro, a garota se pôs a apertá-lo cada vez mais forte, tentando estrangulá-lo.

O bicho começou a se debater e levantando-se, começou a pular feito um boi de rodeio. Tentava morder Shanna, mas como não conseguia virar o pescoço, eram tentativas inúteis.

Shanna avistou a artéria principal do pescoço do monstro, pulsando. Num átimo, enfiou-lhe um de seus facões, fazendo um jato de sangue espirrar-lhe em cima.

Shanna caiu, gritando. Mas havia Max para amparar sua queda.

Ou quase.

— Putz, você pesa pra burro!

— Ficou maluco, é? Saia daqui agora! Desse bichão eu cuido!

O carcharodontossauros estava furioso. Com uma rabada, mandou a garota longe!

— Ai... Essa doeu feio...

— Shanna!

Desta vez, Max resolveu intervir. Amava aquela mulher desesperadamente, ela era a melhor coisa que já lhe acontecera na vida e ele não a deixaria matar-se, lutando sozinha contra aquele monstro.

Ele foi lembrando de uma coisa que lhe acontecera quando garoto. Aquelas bagas brancas venenosas que ele engoliu no acampamento de verão numa disputa besta entre garotos e que quase o mataram... Será que havia delas por ali? E se houvesse, qual seria a quantidade necessária para derrubar aquele monstrengo?

— Shanna, meu amor, venha comigo.

— Não... Tudo bem... Eu consigo...

— Não. Desta vez, deixa comigo. Você tá toda machucada, gata, e eu não quero que essa pele linda, que eu adoro acariciar, fique toda marcada! Me empreste sua lança! Fui!

Max correu pelos arredores. Procura que procura, ele achou o bendito arbusto!

— Opa! Maravilha!

Pegando a lança de Shanna, ele amarrou um cacho de bagas brancas na ponta. Agora era só uma questão de atrair o monstro, o que não foi nada difícil.

— Hei! Olha aqui pra mim, aqui, ô coisa feia! Dentuço! Fugiu do Jurassic Park é?

Furioso, o monstro foi pra cima dele. Com uma mira certeira, Max acertou a lança bem no peito do monstro, fugindo em seguida.

Aconteceu o que ele imaginou que aconteceria: com o sangue intoxicado pelo veneno das bagas, o bicho foi ficando zonzo, zonzo, começou a gemer e a babar feito um cachorro louco, até que com um estrondo, foi ao chão!

Shanna sorriu e aplaudiu.

— Max, você conseguiu!

— E como não conseguiria? Pois se eu aprendi com a melhor professora de todas...

Os dois se beijaram, felizes. Em seguida, foram à procura do pessoal do acampamento, que com o aparecimento do monstro, debandou todo para dentro da selva.

A cena que viram, porém, foi horrível: corpos e pedaços de corpos pra todos os lados. Ficava até difícil reconhecer quem era quem no meio daquela carnificina.

— Meu Deus...— Max tapou o nariz. O fedor de carniça era insuportável.— O que aconteceu aqui?

Shanna pegou uma coisa do chão. Uma garra de raptor.

— Pelo visto, os raptores fizeram a festa com eles... Vamos embora.

— Pobres coitados... Eles eram nojentos, mas ninguém merece acabar assim. Nem eles.

— E Elsa? Que será que houve com ela?

— Vamos ver. Aquela ali é uma nazista infeliz, mas se ainda estiver viva...

Não estava. Na fuga, Elsa fora parar na beira de um precipício onde dera de cara com um Albertossauros, um tipo de Tiranossauro pequeno. Assustada, ela caiu do precipício, quebrando o pescoço e morrendo logo.

— Um fim digno para alguém totalmente indigno... – Murmurou Max, com ar de nojo, depois que a enterraram.

— Ela era minha mãe... — Murmurou Shanna.

— Eu sei. Eu ouvi.

— Acho que você tem o direito agora, de saber de onde eu vim...

Os dois andaram por horas pela selva, margeando as trilhas usadas pelos carnívoros. Chegaram a avistá-los algumas vezes, portanto foram cautelosos. Não seria nada engraçado topar com alguns deles por ali.

— E aí... — Fez Max, limpando o suor da testa, quando pararam.— Já chegamos?

— Sim. Olhe. — Murmurou Shanna, apontando para uma... Parede?

Max ficou abismado, especialmente quando ambos entraram na imensa propriedade nazista onde Shanna fora achada. Nunca imaginaria que naquela selva primitiva, poderia haver uma propriedade tão grande.

Tão grande e tão bem construída. Um verdadeiro modelo de organização.

— Deus do céu... — Murmurou Max, de queixo caído.— Que lugar é esse?

— Esse é o lugar onde eu fui gerada...

Com cuidado, Shanna abriu a porta da sala de encubação.

Tudo estava exatamente como no dia em que ela fora encontrada. O vidro quebrado de sua cuba. Os vidros onde estavam seus irmãos e irmãs que não tinham sobrevivido.

Max quase não conseguia crer em seus olhos. Se não tivesse visto aquilo, não teria acreditado.

— Foi... Foi daqui que você veio?

Shanna simplesmente fez que sim.

— Deus do céu... E esses outros? Mortos?

— Sim. Todos. Só eu sobrevivi...

— Meu Deus, se alguém me falasse que esse lugar existe, eu teria tachado essa pessoa de maluca!

Os olhos de Shanna estavam cheios de lágrimas.

— Se você resolver me deixar por isso, eu vou entender...

— Shanna, essa é minha resposta quanto a isso...

Ele a abraçou, envolveu-a e logo estavam fazendo amor com loucura.

— Você não me odeia, Max?

— Odiar você? Pra isso acontecer, eu teria primeiro que pular até a lua durante o dia!

Shanna riu. Aquele homem era mesmo tudo que ela poderia desejar: era alegre, corajoso, amoroso, divertido e principalmente a amava.

Os dois voltaram ao acampamento. Ali reinava um mórbido ar de morte e destruição. Ali nunca seria um lar para eles.

Depois de pegarem o resto das coisas que ainda havia ali, Shanna pegou Max pela mão.

— Vamos, meu amor. Aqui não é nosso lugar.

— Não é mesmo. Nunca poderemos constituir um lar nesse lugar amaldiçoado...

— Acho que a nossa caverna é bem aprazível não?

— Falou e disse, minha Ayla!


:: Notas do Editor

Não perca, em breve, as novas aventuras de Shanna em sua própria série mensal.




 
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