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Por
Leonardo Araújo
Contagem Regressiva Parte II
17:10
Os dois policiais do esquadrão anti-bomba de Gotham trocam idéias a respeito de como devem fazer para desativar a bomba biológica do reservatório local. Batman estuda o mecanismo pelo monitor, analisando-o cautelosamente. Às vezes um dos dois pára e fica observando o monitor que mostra a imagem da bomba.
Cerca de 45 segundos se passam até o homem-morcego mergulhar novamente no depósito.
Ei!! O quê...
Cala a boca, cara! Pode apostar sua vida que ele sabe o que está fazendo. adverte o tenente ao outro policial.
Após pouco mais de meio minuto, Batman retorna à superfície do reservatório. O tenente o pergunta:
Alguma sugestão? Os mecanismos de ignição parecem ser extremamente sensíveis. É bastante arriscado tentar desativá-los aqui. Além disso, se vacilarmos o sensor dispara e sabe lá Deus mais quantas bombas dessas vão explodir por ai.
Tentar inibir a ação do dispositivo sobre a carga explosiva, ou remove-la, parece inviável. Teríamos que abrir o corpo do artefato e ...
Vamos fazer a alternativa que sobrou! -Batman interrompe o raciocínio do jovem policial.
Qual?
Vamos remover a carga biológica do corpo da bomba. Tenente, consiga duas placas metálicas finas e resistentes: vamos usá-las para manter possíveis disparadores de pressão entre o corpo da bomba e a carga biológica pressionados. À medida que removemos a carga principal, iremos deslizando as placas junto às carcaças dos artefatos. Envie as imagens que obtivemos da bomba e peça pra Gordon providenciar uma peça similar à carga, com peso ajustável.
Ajustaremos o peso dela aqui para substituir a carga após a remoção, certo? Entendi. Mas e os cabos que se ligam aos sensores da carga biológica? Não podemos rompê-los. analisa o tenente.
Vamos instalar uma fonte que simula o sinal original. orienta Batman.
OK, se a bomba vier a ser detonada, a carga explosiva produzirá poucos danos. Como pretende saber a tensão e corrente dos fios? Algum medidor especial? pergunta o segundo policial presente.
Faremos uma ponte elétrica antes de cortá-los.
Cortá-los?
A ponte terá os fios soltos, sem tração, de forma que possamos medir corrente, freqüência e tensão em cada um. Assim, podemos duplicar os sinais. explica Batman.
Já passei as informações ao esquadrão. Estão trazendo os equipamentos do furgão. avisa o tenente.
Um sargento traz os equipamentos pedidos. Logo o material necessário é separado. Batman e o tenente mergulham.
Uma delicada operação é desenvolvida. Os cabos dos sensores elétricos que ligam o artefato explosivo a sua carga mortífera são desencapados e a fiação exposta fio a fio, com extrema cautela. Para cada fio exposto, um outro lhe é soldado nos pontos extremos, fazendo uma ponte com espaço suficiente para que instrumentos de medições específicos possam medir tensões e correntes. Após a medição das tensões nas emendas dos fios, os condutores originais são cortados. A seguir, corrente e freqüência são medidas. São ao todo doze fios. Agora, todos os dados necessários para a simulação dos sinais estão coletados.
As informações obtidas são levadas à superfície e um computador é programado para imitar os sinais fio a fio. Um último cuidado de sincronização das freqüências é tomado antes de ser dado o sinal para cortar os condutores.
Até o momento, tudo corre como planejado. Cuidadosamente, Batman remove as presilhas e parafusos que prendem a carga biológica ao corpo da bomba, tomando o cuidado de não separar ambas. À medida que vai deslizando a carcaça solta sobre o corpo da bomba, o policial faz cada parte exposta ser coberta com as placas metálicas e mantém pressão sobre as mesmas, fixando-as, finalmente, com presilhas de pressão.
Por fim, Batman emerge. Em seguida, adverte o tenente que o acompanha:
Fixe nosso "dublê" de carga biológica na carcaça da bomba. As placas podem deformar ou as presilhas podem ceder com o tempo.
A carga química está sendo pesada. Assim que terminarmos, em um ou dois minutos, ponha o peso na falsa carga e a fixo.
Ótimo. Gordon, está na escuta? pergunta Batman, usando um rádio.
Sim, acompanhei o processo. Algo mais?
Só se certifique de que o fluxo d'água para a cidade seja interrompido caso algo dê errado aqui. Assim o terrorista não saberá por que ninguém começou a ficar doente.
Já me preveni quanto a isso. Tenho uma história de cobertura para caso isso exploda. responde Gordon.

18:35
Na caverna, mais uma vez, Batman analisa o caso. Após breves conclusões, resolve partilhá-las com Gordon, via telefone numa linha pessoal segura.
Suspeito que nosso homem, ou homens, esteja em Gotham. Além de saber cada passo de nossa movimentação, a bomba que encontramos estava ajustada para 8h30min de amanhã, exatamente trinta minutos após o primeiro prazo final dado.
Ele pode ter uma rede de bons informantes. retruca Gordon.
Improvável. Uma operação como esta, onde nenhuma informação vazou, foi muito bem executada. O sigilo indica um universo pequeno de agentes.
Você conclui que os trinta minutos eram uma margem de segurança para fuga?
Juntando as peças que temos, concluo. A possibilidade em contrário é muito remota. Estamos ficando sem tempo para achar quem está organizando e controlando essa operação. Entregarei os cabos que removi da bomba. É de material comum. Pode ser achado facilmente. Não creio que nos revele nada, mas pode ser peça para seu inquérito sobre o caso.

19:00
Novamente, Jim e Batman estão no gabinete do comissário.
Jim, já começou a investigar os funcionários da companhia de água e saneamento de Gotham? Os mais recentes admitidos, empresas que prestam serviços com acesso a aquele reservatório...
Há uma força-tarefa disfarçada fazendo isso desde que a bomba foi neutralizada. Estamos agindo com o máximo de discrição para, caso exista alguém lá que esteja trabalhando para o terrorista, não seja alertado antes de chegarmos a ele.
Quero cópia das filmagens, caso interroguem alguém.
Só interrogamos um até agora.
E...?
Suspeitas infundada. Mas fomos discretos.

19:35
Logo ao sair para o terraço do prédio da delegacia centra de polícia, Oráculo entra em contato:
Batman?
Pode falar, Bárbara.
Acabei de terminar o cruzamento de dados de todos os telefonemas que recebemos com os dados da telefônica local e contratos de locação recentes. Já temos um número bem reduzido, em toda a cidade, de imóveis que se enquadram nas características que você estipulou.
Você está me dizendo que temos as prováveis localizações das centrais inteligentes usadas?
Isso mesmo. São duas áreas ao todo.
Bom trabalho. Estou entrando no batmóvel. Envie-me as localizações.
OK. Localizações a caminho... foi.
Mais uma coisa, Bárbara. Ponha-me em contato com Super-Homem assim que possível. No momento ele não responde minha chamada.
Passarei o recado!

19:46
Analisando as duas áreas, Batman vê que uma tem seis possíveis endereços e a outra tem oito.
Robin, na escuta?
Sim. Escutei seu papo com Oráculo. Por que a demora?
Estou enviando sua área a ser coberta. Não invada os locais. Lembre-se que há um sistema de vigilância e alarme
Recebi e estou indo pra lá.

20:55
Após dois endereços que não levam a nada, Batman tem mais sorte no terceiro. É uma loja de eletrodomésticos aparentemente fechada. Uma invasão pelo telhado é usada para driblar dispositivos de vigilância. A remoção de apenas uma telha permite ao detetive furar o forro de gesso para a passagem de uma microcâmera. A planta do ambiente, atualizada, facilita para que os furos sejam feitos no meio dos ambientes. Na quarta furação, a central é avistada.
Após sair do telhado, Batman localiza a caixa de passagem subterrânea, à frente do imóvel, a qual é entrada dos cabos telefônicos. Um grampo telefônico é feito. Agora tudo que for transmitido ou recebido pelas linhas será prontamente repassado aos computadores de Oráculo e da caverna.
Por fim, substitui o disjuntor geral, externo a casa, por outro disjuntor, porém este segundo está propositalmente apresentando mau funcionamento.

21:31
No terraço do prédio ao lado da loja, Batman mantém-se vigilante.
Robin, está podendo falar?
Acabei de sair da minha quarta visita. Até agora nada!
Pode interromper. Já temos o que queremos.
Qual é o plano?
O imóvel vai ficar sem energia a qualquer momento. Vou esperar aqui para ver como eles agirão.
Vou pra aí!
Não. Vamos diminuir a chance de sermos vistos. Ainda não sabemos as habilidades de nosso inimigo. Volte à caverna e me informe de novidades, principalmente relativo ao mercado de armas nucleares. Não conseguimos muita coisa até o momento.
Cerca de dois minutos após a conversa, a energia elétrica é interrompida no interior da loja. Um sistema de emergência interno, como esperado, entra em funcionamento.

21:35
A freqüência de emergência usada pela polícia e bombeiros recebe inúmeras mensagens. Há uma estranha fuga dos leões do zoológico de Gotham. As ruas de acesso ao zôo estão sendo isoladas.
Veterinários são chamados para auxiliarem os atiradores a acertar tranqüilizantes nas feras. Há pânico no local e parte do efetivo usado na busca do terrorista é desviado.
Apenas um homem se fere ao correr, ainda no zoológico, quando vê um dos leões solto.
A situação está praticamente controlada após cerca de vinte minutos. Isso graças à maciça presença de policiais e bombeiros que já estão no local.

22:03
Um carro pára a alguns metros da loja. Apaga as luzes e seu motorista aguarda a calçada, entre seu carro e a loja, ficar vazia. Após alguns minutos, ele resolve sair do automóvel, carregando uma bolsa de couro relativamente grande. Aproxima-se rapidamente, entrando na loja em seguida.
Batman, disfarçado de mendigo, "cai" entre a loja e o carro.
Após sete minutos, o sujeito sai da loja. Dissimuladamente, vai até o quadro externo de energia e usa um pequeno aparelho, um multímetro, o qual o auxilia a constatar o defeito. Abre a bolsa e saca um disjuntor. Substitui a peça rapidamente e observa nas imediações para ver se não está sendo visto.
Ao retornar para o carro, passa pelo mendigo bêbado sem dar qualquer importância. O "mendigo", discretamente, lança um rastreador em uma das laterais da bolsa.

22:29
Assim que o veículo sai, o homem-morcego se livra do disfarce e passa a acompanhar sua presa. Não precisa ir muito longe para ver o que pensa originar uma boa pista: a três quadras do local, o carro pára junto a um telefone público.
Oráculo, localize a chamada que será feita no telefone público da rua Washington na altura do número 434.
É pra já. responde Bárbara.
O motorista sai do veículo, pega algumas moedas e faz sua ligação. A conversa é extremamente curta e se limita a:
Problema resolvido. Foi só um disjuntor que quebrou. Está tudo em ordem.

22:58
A discreta perseguição atravessa alguns bairros. Finalmente, o veículo entra na garagem de um prédio modesto de três andares.
Calmamente, ele estaciona o automóvel. Em seguida, dirige-se às escadas e as sobe, enquanto mete a mão no bolso e retira algumas chaves. Seleciona duas das chaves e pára em frente à porta do apartamento 202. São duas fechaduras independentes. Ele as abre e entra no apartamento. Acende a luz da sala, pega o controle remoto da TV e a liga. A seguir, vai para a cozinha, abre a geladeira e, após uma rápida inspeção, pega uma cerveja. Subitamente, a TV silencia e a luz da sala apaga.
Droga, será que vou ter também problema de disjuntor nesta merda de apartamento?
Não há problema nos disjuntores. a voz de Batman irrompe inesperadamente no ambiente escuro. O sujeito gela. Por um momento pensa em pegar arma que carrega na cintura, mas o ranger de dentes perto de si o faz se lançar para a saída do imóvel.
Para seu desespero, ele sequer se aproxima da porta de saída. Pit, seu apelido, pode sentir quando uma mão lhe agarra a parte de trás da gola da jaqueta e um violento puxão o faz atravessar a sala na direção oposta. A aterrissagem, junto ao braço do sofá, mesinha com abajur e um prato com resto de pizza, é desastrosa. A arma cai longe. Seu punho esquerdo quebra quanto tentou aparar sua queda. O corte recente dói muito, corte provocado por um caco do prato que estilhaçou ao se chocar no chão.
Fale!
Você pegou o cara errado, eu...
Pit, no chão ainda, sente seus dois pés sendo agarrados:
Não, por favor!!
Ele gira no ar e se vê lançado de encontro à porta de um dos quartos. A porta não resiste e cede. Enquanto Pit se arrasta, completamente desorientado, Batman pisa em sua mão direita, quebrando-a.
Eu ainda não toquei em uma só costela. Sabe o que acontece quando uma costela quebrada perfura o pulmão?
Eu falo! Eu falo! grita Pit, desesperado O papel amarelo com o escrito impresso é o telefone que tenho para contatar meu empregador. Tome. Ele só me deu isso.
Seu corpo é subitamente erguido no ar. Ao contemplar o morcego face a face, um pavor ainda maior o faz chorar sem qualquer controle.
Não me mata, por favor... eu... eu... estava...
Pit é lançada numa poltrona no ambiente, fazendo-a se deslocar algumas dezenas de centímetros. A caça está estática.
Endereços e nomes. exige Batman.
Os endereços que tenho são das centrais. Eu não sei pra que são. Juro. Eu só fui pago pra descolar e montar as centrais clandestinas... e para manter tudo funcionando lá. Eles... eles me contrataram por telefone, depositaram antecipado... não conheço ninguém... balbucia Pit.
Tem certeza que não sabe de mais nada?
Juro.
Fique exatamente ai. Não mova um músculo.
Batman vai para as sombras e sai pela janela. No terraço do pequeno edifício, o detetive se comunica com Oráculo:
Bárbara, informe o comissário do ocorrido e peça pra ele mandar alguém para ficar junto do nosso novo informante. Caso nosso "eletricista" tenha de sair, alguém nosso deve acompanhá-lo muito bem escondido. Não quero que nada de incomum seja observado por informantes do terrorista. Mande vir um ortopedista também.
Certo.
Assim que terminar, execute uma chamada simulando a operadora do celular que conseguimos, oferecendo um serviço qualquer, e localize o aparelho.

23:23
Após alguns minutos, Oráculo retorna:
Batman, temos o aparelho em deslocamento pela avenida New York, passando junto ao museu em direção ao subúrbio.
Visualizou o veículo pelas câmeras de segurança do trânsito?
Quase lá... agora sim. É um Audi A4 preto.
Me passe a placa assim que possível. Retenha-os nos sinais, de forma que eles não saiam da avenida. Estou indo para lá

23:50
O Audi A4 se desloca numa das avenidas secundárias do centro de Gotham. Do alto do prédio, Batman pode acompanhar sua trajetória.
A velocidade moderada do veículo facilita uma interceptação dramática. Um rápido cálculo e Batman se lança para atingir o teto do carro.
Há três ocupantes no carro. Uma rádio local está sintonizada e é a única voz dentro do automóvel. Repentinamente, um pesado objeto faz um forte barulho enquanto o teto do carro cede, afundando para dentro e espremendo seus ocupantes.
Que merda foi essa?? pergunta o motorista, enquanto tenta, em vão, recuperar o controle do Audi.
Sei lá... responde um dos passageiros, tentando sacar a arma.
O carro se choca, com pouca violência, em um ônibus que aguardava ser rebocado junto à lateral da pista. Os dois passageiros saem rapidamente, mas o motorista tem dificuldades de sair, pois sua porta foi danificada já na avaria que Batman causou.
Um batarangue atinge em cheio a nuca do ocupante que saiu por último, nocauteando-o. O segundo tem um filete de sangue escorrendo pela testa, chegando até a boca, enquanto ensaia uma fuga do local. O barulho da pancada do batarangue e a queda de seu amigo o faz olhar para trás. A próxima coisa que ele sente é uma dor aguda: Batman o acerta na altura do peito com os dois pés, impulsionado por seu balanço em uma corda.
Caído, ele vê a sombra negra que está de pé a suas costas a poucos metros, mas a dor e a dificuldade de respirar são tão grandes que ele desmaia em seguida.
Finalmente o motorista consegue abrir a porta e impulsionar-se para fora do carro, mas retorna rapidamente quando um direto o atinge na testa, desacordando-o imediatamente.
Um estojo é sacado do cinto e o detetive toma as impressões digitais dos três homens desacordados. Em uma rápida identificação, verifica que os três são mercenários do submundo, contratado para segurança de mafiosos e coisas afins. Uma informação interessante aparece sobre o motorista: ele é claustrofóbico. Seu nome é Allan Potter.
Continua.
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